O secretário-geral do PCP afirmou que «o PASOK de Portugal» não é uma «verdadeira alternativa» política, referindo-se ao PS, no arranque das jornadas parlamentares do partido, que se realizam em Aveiro até terça-feira.

«Portugal precisa de uma verdadeira rutura e não das mudanças de cosmética para que tudo fique na mesma, das falsas mudanças daqueles que dizem que não são o PASOK de Portugal, mas que o foram ontem e que hoje deixam os destinos do país nas mãos das propostas e dos sinais do senhor Junker, do senhor Draghi e da boa vontade do diretório das grandes potências».


Jerónimo de Sousa reiterou a necessidade de revogar o Tratado Orçamental, abandonar o Pacto de Estabilidade e de renegociar a dívida, depois das referências aos socialistas gregos, ao presidente da Comissão Europeia e ao governador do Banco Central Europeu.

O secretário-geral comunista declarou também que o primeiro-ministro e o seu «vice» estão em «visível pânico» e a lançar «pragas» imaginárias sobre o futuro do país.

«Perante os ventos de mudança que vão soprando por essa Europa, fruto da luta, determinação e vontade dos povos em romper amarras de uma política que só conhece um amo - o grande capital - , antecipando a sua própria derrota, aí estão, em visível pânico, num frenesim desusado e de forma estridente, a convocar todos os fantasmas do medo e da chantagem».


Segundo o líder do PCP, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas encontram-se, «em uníssono, a desfiar o rol das pragas que se abaterão sobre o país e das hipotéticas perdas com a sua derrota e da política que serve os grandes interesses, até, pasme-se, uma imaginária descida do IRS no futuro!».

O também deputado comunista exemplificou a situação de «tragédia e ruína sociais» com dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo os quais mais que um em cada quatro portugueses está abaixo do limiar da pobreza, totalizando 2,7 milhões de pessoas, alertando ainda para as dificuldades dos produtores nacionais, designadamente com o fim das quotas leiteiras (31 de março) e o ano agrícola «com fortes quebras na produção» de arroz, castanha, fruta e batata.

«Diz Passos Coelho que os resultados divulgados pelo INE já não correspondem à realidade - "são o eco daquilo que passámos" -, que não refletem situação atual. O ridículo e a perfídia tomaram conta deste Governo PSD/CDS, quando anuncia que, num ano, tudo mudou».


Para Jerónimo de Sousa, «negar esta realidade não é apenas persistir numa campanha de propaganda enganosa que a todo o custo quer meter pelos olhos dentro dos portugueses êxitos inexistentes».

«É mais grave. É admitir que nada fará para inverter uma situação que exige um combate sério e decidido que este Governo não está em condições nem tem vontade política para realizar», disse, sem descurar as «consequências desastrosas de uma política apostada em degradar o Serviço Nacional de Saúde» e os elevados números do desemprego.

Em relação à Saúde, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, declarou que «critérios economicistas» são incompatíveis com «critérios de saúde» e desejou que o exemplo visitado em Aveiro, de um hospital que pratica contratação direta de profissionais, seja a regra nas urgências hospitalares.

«Os serviços de saúde podem estar muito bem organizados, do ponto de vista orgânico e concetual, mas se, do ponto de vista dos recursos humanos, não tiverem capacidade para dar resposta às necessidades dos doentes, toda a resposta acaba por falhar», disse após uma visita à sede do Centro Hospitalar do Baixo-Vouga e reunião com os seus responsáveis, nas jornadas parlamentares.

Para o PCP, «há critérios de saúde que não são compatíveis com critérios economicistas e há critérios de estabilidade na situação profissional e das condições em que trabalham todos os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico)», pois há «exigência de estabilidade das equipas que estão constituídas que é fundamental para dar resposta às necessidades».

«É pena que os serviços de saúde tenham chegado à situação a que chegaram para que quem tutela politicamente a área tenha sido forçado a aceitar soluções como estas, que esperamos que passem de exceção a regra.»


O ministro da Saúde, Paulo Macedo, vai quarta-feira à comissão parlamentar de Saúde depois de um requerimento potestativo do PCP, precisamente versando a situação problemática nas urgências hospitalares. Os comunistas vão defender ainda dois projetos de resolução, no plenário de quinta-feira, para «reforço e valorização dos profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde» e «reforço dos cuidados de saúde primários de proximidade à população».

«Aquilo que temos vindo a assistir nos últimos três anos é exatamente ao contrário - uma política de saúde que tem promovido a instabilidade e a desestruturação e desvalorização sociais e profissionais, com as consequências que estão à vista.»