Almeida Santos afirma que sexta-feira, no primeiro dia do congresso do PS, em Espinho, será pela última vez eleito no cargo de presidente e diz-se convencido que o ex-candidato presidencial Manuel Alegre se manterá no partido.

«Vou fazer seguramente o meu último mandato como presidente do PS. Tenho 83 anos e, daqui a dois anos, com 85, é boa altura para enfiar os chinelos», declarou Almeida Santos à agência Lusa.

O XVI Congresso Nacional do PS abre sexta-feira com a eleição do presidente do partido pelos cerca de 1700 delegados, cargo ao qual Almeida Santos concorre sem oposição desde 1994.

O ex-ministro de Estado de Mário Soares e ex-presidente da Assembleia da República foi eleito pela primeira vez presidente do PS em 1992, no congresso em que António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida à liderança dos socialistas.

Nesse mesmo congresso, Almeida Santos bateu na eleição para a presidência Ferraz de Abreu, que ocupava este lugar desde 1996, altura em que Victor Constâncio foi eleito secretário-geral do PS.

«A alma do Manuel Alegre está com o PS»

Em declarações à agência Lusa, Almeida Santos afirmou-se satisfeito por Manuel Alegre ter aceite o seu convite para integrar a comissão de honra do congresso, mas disse ainda não dispor de qualquer sinal que lhe permita concluir que o ex-candidato presidencial estará presente em Espinho.

Mais certezas tem Almeida Santos sobre a continuidade de Manuel Alegre no PS. «A alma do Manuel Alegre está com o PS e ele também sabe que em Portugal não há espaço para um novo partido, que dá muito trabalho a criar e exige muitos meios. O Manuel Alegre sabe perfeitamente o que aconteceu ao partido do general Eanes [o PRD]», sustentou.

Sobre a actuação política de Manuel Alegre enquanto deputado do PS, Almeida Santos definiu o seu «velho camarada dos tempos de Coimbra» como «o melhor poeta português e um excelente orador».

«Mas o Manuel Alegre não tem as qualidades todas», observou, antes de anotar que o ex-candidato presidencial «sempre gostou de barafustar».

«Gosta por vezes de ser do contra, mas estou convencido que não cairá na asneira de ir embora do PS», insistiu.

«Os portugueses são um povo muito queixinhas»

Interrogado sobre a possibilidade de o congresso de Espinho ser marcado por um unanimismo em torno da figura do secretário-geral do PS, José Sócrates, Almeida Santos recusou essa perspectiva e mostrou-se convencido que «vai haver debate» ao longo dos três dias de trabalhos.

Neste contexto, aproveitou para deixar uma crítica velada ao «histórico» Edmundo Pedro. «Diz-se que há medo no PS, mas onde? Medo metia o Salazar. Penso que os portugueses são um povo muito queixinhas», comentou.

Como presidente do PS, Almeida Santos afirmou-se até perplexo com a experiência que tem de algumas reuniões das comissões Política e Nacional do partido.

«Há quem se queixe de falta de debate. Mas, nas reuniões do PS, ninguém se inscreve para falar», apontou.