A vice-presidente do CDS-PP e ministra da Agricultura, Assunção Cristas, defendeu este sábado que o partido fez não o que queria mas «o que podia fazer» no Governo e assegurou que o executivo «é bem melhor» com os democratas-cristãos.

«Fizemos o que queríamos? A minha resposta é: fizemos o que podíamos fazer, este Governo é bem melhor com o CDS lá dentro do que sem o CDS», afirmou Assunção Cristas, numa intervenção perante o XXV Congresso do CDS-PP, que decorre até domingo em Oliveira do Bairro.

Num discurso muito aplaudido, a dirigente democrata-cristã admitiu que a governação está ser «até mais difícil» do que se supunha, quer por constrangimentos externos quer internos.

«Se me perguntarem hoje se foi como nós tínhamos imaginado, está a ser, sim, mas porventura até mais difícil, nesses tempos prévios não se previa uma recessão profunda em toda a Europa, nesses tempos prévios não se projetava um 'ping-pong' tão intenso quanto imprevisível com o Tribunal Constitucional, sabíamos que tínhamos de cortar na despesa, sabíamos que ia ser difícil mas não sabíamos que íamos ser obrigados a percorrer linhas tão difíceis para o CDS», afirmou.

Para Assunção Cristas, o objetivo mais claro do partido neste ano deve ser libertar o país da troika, enaltecendo que 2014 será o ano em que esse objetivo será cumprido.

«A nossa missão primeira é tudo fazer para restituir a Portugal e a todos nós a nossa plena soberania, a nossa liberdade que foi roubada por um partido que se chama Partido Socialista», referiu.

A também ministra da Agricultura aproveitou para anunciar «em primeira mão» uma novidade do seu setor, que o valor acrescentado bruto do setor agrícola cresceu em 2013 9,6 por cento, «pondo fim a um ciclo de dez anos de tendência negativa».

Projetando o futuro do partido até ao final da legislatura, Assunção Cristas defendeu que as respostas podem ser encontradas no guião da reforma do Estado, elaborado pelo líder Paulo Portas, embora admitindo que muitas das propostas carecem de um «contexto político específico» e de um «consenso político alargado».

«Não chega trabalharmos em prol da economia, é preciso que enquanto partidos sejamos mais claros, mais concentrados para que a boa evolução da economia sirva para diminuir o défice mas também chegar a casa dos portugueses», disse, defendendo que, para tal, é essencial a dinamização de um gabinete de estudos.

A ministra apontou como foco prioritário do CDS no curto prazo o de «fazer uma verdadeira reforma fiscal» e que tenha em conta o coeficiente familiar, uma das bandeiras do partido.

Numa outra intervenção, o ex-secretário de Estado da Administração Interna Filipe Lobo d'Ávila aproveitou para responder ao discurso de Filipe Anacoreta Correia, que encabeça o movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), a única tendência crítica à direção de Paulo Portas.

«Se o CDS tivesse falhado no Governo como alguns dizem, o país continuaria seguramente em recessão (...) Não sei se comi o fruto proibido mas tive a honra de servir o CDS», afirmou Lobo d'Ávila.