O fundador do CDS e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Diogo Freitas do Amaral disse esta terça-feira que o país está «entregue a um grupo de irresponsáveis» e defendeu um governo de salvação nacional ou eleições antecipadas.

«Nós estamos entregues a um grupo de irresponsáveis, de pessoas que não sabem o que é governar um país, não sabem o que é a dignidade do Estado e não sabem as regras mais elementares da democracia (...). Não sabem nada, fazem tudo mal», criticou o histórico dirigente partidário.

Diogo Freitas do Amaral assinalou que a declaração que o primeiro-ministro fez hoje ao país, após a demissão do ministro centrista Paulo Portas, «revelou um homem que vive fora da realidade e um político com medo de assumir as graves responsabilidades que lhe cabem na dupla crise das últimas 24 horas».

Pedro Passos Coelho anunciou que vai manter-se em funções e que não aceitou a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que pediu para sair do Governo menos de 24 horas depois do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter tomado a mesma decisão.

«O Governo está morto e quanto mais depressa se encontrar outro, melhor», frisou Freitas do Amaral, adiantando que, se o Presidente da República «não puder ou não quiser formar um governo de salvação nacional», que seria a melhor solução para o país, deve convocar eleições antecipadas.

O antigo ministro, que foi também candidato à presidência da República, assinalou que «em democracia não se pode ter medo de eleições», afirmando que «é uma perda de tempo» Passos Coelho apelar a Paulo Portas que volte atrás numa decisão que o próprio considerou irrevogável.

«(Passos Coelho) está agarrado ao poder, está com medo de ir para eleições, está com medo de pedir uma moção de confiança ao parlamento, está com medo de perder o apoio do CDS, está com medo de perder a presidência do PSD e portanto acena para uma solução que teria sido possível há uns meses» , mas não depois de ignorar as posições do CDS e de Portas.

«Andou a humilhá-lo e agora é que vem pedir batatinhas? É tarde», considerou, acrescentando que, «se o primeiro-ministro continuar a fazer este jogo, o CDS deve solidarizar-se com o seu presidente e romper a coligação».