O dirigente socialista António Costa afirmou na noite de sexta-feira, na Mealhada, que para o PS ser alternativa à direita precisa de sair do quadro de reflexão da direita.

«O primeiro passo para sermos alternativa à direita é sairmos do quadro de reflexão que a direita nos impõe», sustentou António Costa, que falava na noite de sexta-feira, na Mealhada, durante um jantar com apoiantes da sua candidatura nas eleições primárias do PS, a realizar em 28 de setembro.

«Enquanto estivermos a pensar como a direita, não nos livramos de governar como a direita», sublinhou, adiantando: «depois, podemos discutir se o ritmo deve ser mais rápido ou mais lento, se a dose deve ser dupla ou se deve ser meia dose».

Mas «o problema que se coloca a Portugal» é «fazer diferente» daquilo que tem feito o Governo, e, «para fazer diferente, é preciso ter outra política como a que o PS tem obrigação de apresentar».

O PS não pode «dar a política da direita com mais dose ou menos dose, com mais ritmo ou menos ritmo», defendeu António Costa.

«[Foi] um governo de Mário Soares que tirou o país da bancarrota, foi o Governo de António Guterres que conseguiu colocar Portugal na moeda única e foi também o nosso último Governo que, em 2007, conseguiu ter o défice mais baixo de toda a democracia», salientou António Costa.

«Por isso, não precisamos que nos venham dizer que as finanças públicas têm que estar sãs, mas temos de perceber que as finanças públicas não são sãs por si próprias» ¿ e o país aprendeu isso, «infelizmente, ao longo destes três anos», referiu.

As finanças públicas serão «sãs se a economia for sã" e "é na economia que temos de apostar», para termos ¿uma economia próspera e as finanças públicas sãs¿, preconizou.

Os adversários dos socialistas «estão fora do PS», defendeu, noutro passo da sua intervenção, António Costa, afirmando: «no dia a seguir às eleições primárias, todos somos do PS, todos estaremos no PS».

«Ganhe quem vier a ganhar [estas eleições], todos continuaremos no PS e a contar com todos aqueles que estão no PS, é isso que faz sentido e dá força ao partido», assegurou.

O debate desta campanha eleitoral «é dentro do PS e entre socialistas, não tem adversários», deve ser feito com «sentido de camaradagem e fraternidade», com «clareza e frontalidade», apelou António Costa, como reporta a Lusa.