Manuela Ferreira Leite ficou «bastante surpreendida com o impacto» do manifesto que assinou com mais de 70 individualidades e que defende a reestruturação da dívida. Recorde-se que tanto o primeiro-ministro como a troika afastaram desde logo esta hipótese e criticaram os subscritores da ideia.

«Foi um tom crispado como se alguma coisa estivesse a ser ofensiva para alguém, como se não estivéssemos em democracia e a reflexão sobre qualquer tema não seja o direito de qualquer cidadão», afirmou Manuela Ferreira Leite na TVI24.

Segundo a ex-líder do PSD, «não está em causa nenhuma rebelião, nenhum afrontamento, nem uma crítica ao Governo», daí considerar que houve uma «reação desajustada».

Ferreira Leite não acredita que o manifesto tenha qualquer reação negativa nos mercados. «Devemos ter tirado o sono à senhora Merkel...», ironizou.

A comentadora da TVI24 acrescentou que «é exatamente nesta altura» que este assunto tem de ser discutido: «Vamos estar no pós-troika, precisamos de ponderar a nossa vida depois da troika. E são as europeias, vamos eleger deputados que vão para um parlamento onde isto está em questão».



«Pior do que mandar calar em democracia, é apresentar as coisas como papões. Eu não tenho idade para ter medo do papão. É uma imagem anti-democrática», concluiu.

Manuela Ferreira Leite não quis comentar as exonerações dos dois consultores de Cavaco Silva que assinaram o manifesto, mas lembrou que o Presidente da República foi «o primeiro a preocupar-se» com o pós-troika.