O secretário-geral do PCP afirmou esta segunda-feira que, «com este Governo, só há saídas sujas» do programa de assistência económico-financeira e criticou a sobranceria dos partidos do denominado «arco do poder» por pensarem estar legitimados por «direito divino».

«Seja qual for a solução, programa cautelar ou saída à irlandesa, com este Governo, com esta política nacional e europeia, só há saídas sujas. O que estão a preparar são novas medidas penalizadoras dos trabalhadores, do povo e do país», declarou Jerónimo de Sousa na abertura das jornadas parlamentares conjuntas com os eurodeputados comunistas, em Setúbal.

Para o líder comunista, o executivo de Passos Coelho e Portas «tem vindo a falar de recuperação, que quer a reindustrialização e o regresso ao mar, mas é tudo ficção».

«Falam de crescimento e embandeiram em arco, mas o crescimento que desejam não é para servir o país e os portugueses. É crescimento sem desenvolvimento. Passos Coelho pensa que esquecemos o que afirmou, que a recuperação passava pelo empobrecimento como está a acontecer», continuou.

«PS, PSD e CDS, com a sobranceria de quem pensa estar legitimado por uma espécie de direito divino, continuam a proclamar-se partidos do arco do poder, em exclusividade, uma reivindicação abusiva e antidemocrática», apontou.

O deputado do PCP classificou o atual momento como «o mais negro da vida democrática do país» devido ao «pacto (de agressão), à ação de um Governo que zelosamente o executou, tal como a sua própria política e pela orientações e opções políticas de uma União Europeia, marcada por uma ofensiva sem precedentes contra o conjunto dos povos da Europa».

«Contam com a ajuda interesseira do cartel dos mega bancos - o verdadeiro mercado - com novos empréstimos a juros exorbitantes, que sugam o suor e o sangue do país que trabalha», quis denunciar Jerónimo de Sousa.