O PCP prevê que «os trabalhadores e o povo portugueses» vão ter mais surpresas desagradáveis, sendo chamados a pagar os passivos do grupos BPN, reiterando a sua oposição ao processo de nacionalização levado a cabo.

«Este relatório confirma que o buraco do BPN que os trabalhadores e o povo portugueses irão ser obrigados a pagar poderá vir mesmo a ultrapassar os valores avançados pela comissão de inquérito parlamentar, que era de 6,5 mil milhões de euros», disse à Lusa o membro da comissão de assuntos económicos comunista José Lourenço.

O Tribunal de Contas (TdC) alertou que poderão vir a surgir novos e «significativos» encargos para o Estado ainda decorrentes da nacionalização do BPN, vindos da sociedade-veículo Parparticipadas, adiantando que os custos acumulados ascenderam a 2,2 mil milhões de euros no final de 2013.

«O que é surpreendente são os 3.685 milhões de euros de passivos financeiros nas duas sociedades-veículo, quando a execução foi de apenas 397 milhões de euros. Isto significa que grande parte destes passivos são tóxicos e não é possível reaver o dinheiro e o Estado vai ter de pagar», continuou o membro do PCP.

Quando nacionalizou o BPN, em novembro de 2008, o Estado ficou com outros ativos do grupo (sobretudo problemáticos) que foram integrados em três empresas públicas, as chamadas «sociedades-veículo»: a Parvalorem gere o crédito malparado, a Parups gere património imobiliário e a Parparticipadas ficou responsável pela gestão de várias participações sociais que o grupo BPN tinha, sendo responsável pela sua alienação ou eventual liquidação.

«Se até 2013 o buraco do BPN já conta com 2.202 milhões de euros, muito mais há ainda para vir à tona nós próximos anos e portugueses vão ter mais essa desagradável surpresa. Na altura, fomos os únicos que estivemos contra esta forma de nacionalização, que devia ter abrangido todo o grupo e não nestas condições. Foram nacionalizados os prejuízos e os lucros ficaram para os privados», lamentou José Lourenço.