O candidato do PSD à Câmara do Porto, Luís Filipe Menezes, criticou o PS, classificando-o como «o partido do oportunismo, do pequeno truque, da pequena manobra de bastidor que procura vantagem de imediato».

«Este combate [autárquico] também assentou muito nesta novela politico-jurídico-constitucional, que terminou há horas e aí se viu qual é a matriz comportamental do PS», disse Menezes, que participou na Convenção Autárquica do PSD, que decorreu em Gaia.

Para Menezes, que viu na quinta-feira o Tribunal Constitucional viabilizar a sua candidatura ao Porto, o PS é o partido que «olha meio à frente e nunca para um quilómetro adiante».

«Que diferença há entre um partido que está tão distante de nós do ponto de vista ideológico como o PCP e o PS do ponto de vista de caráter? O PCP está tão longe de nós na ideologia e nas opções políticas de fundo e estruturais, mas está muito mais perto de nós do ponto de vista de caráter do que o PS, que de caráter não sabe sequer o que isso significa», disse.

Menezes criticou também «alguns poucos» social-democratas que «procuraram fazer o jogo do PS».

«Temos que no futuro que ter consciência de que a esmagadora maioria, quase totalidade de militantes, dirigentes e responsáveis sociais-democratas não merecem a falta de solidariedade e responsabilidade de alguns poucos que dentro das nossas portas procuraram fazer o jogo do PS», afirmou.

O candidato à Câmara do Porto, acrescentou, contudo, que o PSD não é o «partido dos castigos, das expulsões» e, por isso, a «comiseração maioritariamente cristã [do PSD] permitirá que no próximo mês» esses social-democratas «ainda se juntem à vitória que vai correr de lés-a-lés o país».

Luís Filipe Menezes afirmou-se como candidato do PSD, «mas não só», explicando que aglutinou na sua candidatura amigos do PCP, do BE, do PS e do CDS-PP, que «convergem na convicção, competência e forma de fazer política» do partido.

Para Menezes, para quem «já se veem os sinais da coerência deste Governo», vai-se dizer «houve um Portugal antes de Passos Coelho e haverá outro Portugal depois do Passos Coelho».

No poder local, disse, é muito mais fácil ver essas mudanças, adiantando que é «candidato ao Porto com uma visão diferente das lideranças das últimas décadas».

«O Porto visto como um pequeno município de 40 km/quadrados, entre a Circunvalação e o rio e com uma liderança virada para esse propósito não serve Portugal», sublinhou, garantindo pretender criar conjuntamente com outros municípios da região Norte para «confluir em projetos conjuntos» que permitam afirmar uma grande região.

O candidato rejeitou «uma visão paroquial e provinciana» de olhar apenas para o Porto, garantindo que não irá «fazer manifestações a exigir dois milhões de euros ao Governo».

O seu objetivo junto do Governo será o de «defender a equidade justa na repartição dos recursos públicos», bem como de defender a «equidade justa na liderança institucional desses recursos».

Menezes salientou pretender ter ao seu lado um Governo que saiba compreender «que o país não é todo igual» e que, por isso mesmo, que seja capaz de, por exemplo, alterar a lei das rendas e estender a reabilitação urbana aos bairros sociais.