O deputado comunista António Filipe afirmou hoje que o Governo da maioria PSD/CDS-PP está já «transformado em comissão eleitoral» para as europeias de maio e a «criar excêntricos todos os dias», referindo-se à denominada «fatura da sorte».

«Enquanto a maioria dos portugueses empobrece, o Governo decreta o fim da crise. A falta de vergonha de um Governo transformado em comissão eleitoral da coligação PSD/CDS parece não ter limites. O Governo que fustiga e insulta os portugueses por alegadamente terem vivido acima das possibilidades, sorteia carros topo de gama, rebaixando as obrigações fiscais ao nível das rifas», afirmou o deputado comunista, em declaração política no Parlamento.

Com os democratas-cristãos em silêncio, o social-democrata Mendes Bota acusou o PCP de ter «um discurso que fugiu à realidade que atravessa o país, autista» e de «dizer absolutamente o contrário de instituições como o Banco de Portugal, do Instituto Nacional de Estatística, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos ou o Eurostat (gabinete estatístico da União Europeia)».

«Parece que já não contam para si. A recuperação económica já é ineludível, já todo o povo sente. Vê-se no saldo fisiológico entre as empresas que abrem e as que fecham, na confiança de investidores e de consumidores», contrariou o deputado do PSD.

António Filipe insistiu que «o Governo pretende diferir os efeitos (dos cortes em salários e reformas) para depois das eleições europeias para que os portugueses afetados não sintam na pele essas medidas antes de ir a votos».

«É esta a realidade com que os portugueses se confrontam: um Governo a empobrecer o país e a criar excêntricos todos os dias», acrescentando que «quem lançou o país na lama não lhe pode prometer uma saída limpa», referindo-se ao período após o final do programa de assistência económico-financeira por parte da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

O socialista Pedro Nuno Santos concordou que «a maioria está em campanha permanente e julga que o mero enunciado de estatísticas serve para esconder que o país está hoje pior do que em 2011».

«Não é verdade que haja mudança estrutural na nossa economia, não há criação de emprego líquido. É um país que vê também o seu capital humano a ser degradado. Não há nenhum milagre, o país está mal, está pior e PSD e CDS são os responsáveis», cita a Lusa.

A bloquista Mariana Aiveca e o ecologista (PEV) José Luís Ferreira criticaram igualmente a «grande propaganda da saída limpa, do regresso direto aos mercados, da retoma da economia e da criação de postos de trabalho», assim como «a enorme discrepância entre o que diz o Governo e aquilo que se passa no país».

«A maioria só fala do respeito pelos compromissos que se têm de cumprir com a troika, mas nunca dos compromissos com os reformados que descontaram uma vida inteira para o Estado», frisou o deputado do PEV.