O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, considerou esta quarta-feira que «o 25 de Abril merece honras do panteão nacional» e Salgueiro Maia será «uma das opções naturais para essa designação».

«O 25 de Abril merece honras do panteão nacional, os símbolos do 25 de Abril merecem honras, Salgueiro Maia é o rosto e é um símbolo do 25 de Abril, do momento libertador do 25 de Abril, da queda da ditadura», afirmou Alberto Martins, em declarações aos jornalista a propósito do apelo feito na terça-feira pelo socialista Manuel Alegre para a aprovação da trasladação do corpo do capitão de Abril Salgueiro Maia para o Panteão Nacional, no âmbito do 40.º aniversário do 25 de Abril.

Sublinhando que «o PS acolhe com naturalidade essa proposta», o líder da bancada socialista ressalvou, contudo, que a questão terá de ser alvo de debate.

«No grupo parlamentar do PS essa matéria será objeto de discussão», adiantou, insistindo que Salgueiro Maia enquanto símbolo do 25 de Abril «é uma figura que se justifica que possa ser entendida como proposta para o panteão nacional».

Pelo PCP e o PSD, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, e o deputado social-democrata disseram apenas que as respetivas bancadas ainda não fizeram nenhuma reflexão sobre o tema.

A questão da transladação do corpo de Salgueiro Maia não foi abordada na conferência de líderes realizada hoje, onde também não se falou da proposta para a trasladação dos restos mortais da escritora Sophia de Mello Breyner.

No sábado, a edição online do semanário Sol avançava que todos os grupos parlamentares já tinham consensualidade uma proposta para a transladação do corpo da escritora para o panteão nacional, por ocasião dos 40 anos do 25 de Abril.

Ainda segundo o semanário Sol, a proposta seria apresentada esta quarta-feira pela presidente da Assembleia da República na conferência de líderes, mas Assunção Esteves não esteve presente na reunião.

Presidente da associação 25 de Abril quer Salgueiro Maia no panteão

O presidente da Associação 25 de Abril defendeu esta quarta-feira a trasladação do corpo de Salgueiro Maia para o panteão nacional, recordando que a associação já tentou lançar essa iniciativa, mas foi travada por inúmeras «dificuldades» e «burocracias».

«Vejo bem a ideia. Nós já tivemos essa ideia, lançámos a ideia, mas as dificuldades foram tão grandes, as burocracias eram tantas, que nós decidimos não formalizar uma proposta concreta», afirmou Vasco Lourenço aos jornalistas, à margem de um almoço na associação 25 de Abril, em Lisboa.

O histórico socialista Manuel Alegre apelou na terça-feira, em Coimbra, a todos os deputados para que aprovem a trasladação do corpo do capitão de Abril Salgueiro Maia para o Panteão Nacional, no âmbito do 40.º aniversário do 25 de Abril.

«Achámos também que não devem ser os militares de Abril a avançar com este tipo de propostas, deve ser a Nação portuguesa que, se considerar que o 25 de Abril deve estar no panteão, deve promover isso», acrescentou Vasco Lourenço.

O presidente da Associação 25 de Abril considerou que deve ser «o poder» a promover a iniciativa, já que apenas existe, enquanto poder democrático, devido ao 25 de Abril, mas disse não esperar esse gesto do atual Governo.

«É evidente que no atual poder não espero isso, o atual poder não tem nada a ver com o 25 de Abril, antes pelo contrário, tem feito tudo para procurar destruir o 25 de Abril, portanto, não estarão muito agradados em ser eles a tomar uma iniciativa dessa natureza», argumentou.

Para Vasco Lourenço, assumir o 25 de Abril é também assumir que um seu representante deve estar no panteão nacional.

Manuel Alegre defendeu na terça-feira que a trasladação seria a «homenagem nunca prestada» ao «herói e símbolo do 25 de Abril Salgueiro Maia».