Os ativistas Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida, entre outros, após abandonarem o movimento «Juntos Podemos», estão a construir o grupo político «Agir» para participar nas eleições legislativas, preparando uma conferência internacional em março, em Lisboa.

A conferência, agendada para os dias 21 e 22 de março no espaço cultural Fábrica do Braço de Prata, vai contar com convidados gregos do Syriza, espanhóis do «Podemos» e também do comentador e ex-líder parlamentar do PSD Pacheco Pereira, disse à Lusa Nuno Ramos de Almeida.

«Queremos participar nas eleições. A forma como o iremos fazer será decidida na conferência. O projeto passa por um programa mínimo, de forma a alterar estruturalmente a democracia portuguesa. A corrupção é incompatível com um sistema democrático. A defesa dos serviços públicos e uma economia discutida e decidida pelas pessoas e não o contrário são outros eixos fundamentais, em vez deste regime sequestrado por uma pequena elite».


Numa das últimas assembleias cidadãs do movimento «Juntos Podemos» foi decidido pela recolha de assinaturas para futura formação de um partido político para concorrer autonomamente às eleições legislativas, mas verificou-se entretanto uma cisão, com 14 dos 21 membros da direção a demitirem-se, nomeadamente Amaral Dias e Ramos de Almeida, acusando o partido Movimento Alternativa Socialista (MAS), dirigido por outro ex-bloquista, Gil Garcia, de instrumentalização.

Outro dos convidados da conferência internacional «Agir» é o sociólogo Boaventura Sousa Santos, um dos membros do movimento cidadão «Tempo de Avançar», que deverá concorrer às legislativas em conjunto com o partido LIVRE, dirigido pelo antigo eurodeputado independente pelo Bloco de Esquerda Rui Tavares, entre outros.

O espanhol Manolo Monereo, antigo militante do Partido Comunista Espanhol e um dos rostos da federação de partidos espanhóis Esquerda Unida (IU), vai ser outro dos participantes do acontecimento de 21 e 22 de março, com sessões pelas 14:30 e 17:00 de sábado e às 14:30 e às 18:00 de domingo, a última das quais com o objetivo de decidir sobre a formalização ou não do «Agir» como partido político.