PS, Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes" rejeitaram, esta quarta-feira, o projeto de resolução apresentado pelo PSD para a criação de uma comissão eventual no parlamento para se proceder a uma reforma da Segurança Social.

Estamos cansados da discussão requentada que insiste sempre nos mesmos pontos", sublinhou o vice-presidente da bancada do PS João Galamba.

O parlamentar socialista falava no debate agendado pelo PSD para a criação de uma comissão eventual para estudar e promover uma reforma do sistema público de Segurança Social.

Discordamos de todos os diagnósticos apresentados pelo PSD, achamos que partem de premissas erradas, dados manipulados e não correspondem à verdade", sublinhou João Galamba, antes de dizer que "todos os indicadores demográficos se agravaram com a governação" recente do PSD, a meias com CDS-PP.

A resolução dos sociais-democratas contou com o apoio o apoio do CDS-PP, num debate que encerrou com uma intervenção do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

No final do debate, o presidente do PSD acusou a maioria de esquerda parlamentar de estar "esgotada", sem disponibilidade para "nada" e "fechada" a qualquer debate perante os portugueses, refugiando-se numa "canga dogmática" sobre o futuro da Segurança Social.

Se o PS e as outras forças de esquerda não têm sequer disponibilidade para, numa comissão eventual, abordar possíveis soluções e avaliar diagnósticos sobre a Segurança Social, retirando toda a canga dogmática da discussão, então é porque não estão disponíveis para nada", disse.

Antevendo este resultado negativo para as forças da oposição, a meio da discussão, o presidente da bancada do CDS-PP, Nuno Magalhães, anunciou que a sua bancada irá entregar em breve uma resolução para "forçar" o Governo a informar em detalhe as perspetivas de evolução e de sustentabilidade do sistema de Segurança Social.

A constituição de uma comissão para em 180 dias "estudar e propor uma reforma estrutural do sistema público de Segurança Social português" pede, disse o deputado do PSD Marco António Costa, que os partidos com assento parlamentar decidam se "pretendem perder-se nas querelas partidárias ou se desejam contribuir para a construção de consensos indispensáveis".

O PSD quer que esta comissão eventual tenha como objeto "a recolha de contributos, a análise e a sistematização de medidas orientadas para a sustentabilidade financeira e sociopolítica de longo prazo do sistema de Segurança Social".

No âmbito da comissão deverão ser ouvidos os parceiros sociais, responsáveis institucionais públicos, privados, bem como personalidades do meio académico, e, no final, deverá ser apresentado um relatório com as respetivas conclusões.

Na sexta-feira, o líder do PSD, Passos Coelho, voltou a propor uma discussão sobre a reforma da Segurança Social, tendo então sublinhado que "é imperioso não adiar a resposta política a este problema" e que a matéria não pode ficar reduzida às "preferências partidárias".

As críticas do Governo vieram no dia seguinte, sábado, pela voz do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que acusou Pedro Passos Coelho de fazer uma "manobra de diversão".