O empresário Francisco Pita, dono da empresa portuguesa (Fabrequipa) que produziu veículos blindados para as Forças Armadas, negou esta terça-feira ser amigo do atual vice-primeiro-ministro e acusou o ministro da Defesa de ser o «pior de sempre».

O industrial do Barreiro, perante a comissão parlamentar de inquérito à aquisição de equipamento militar, adiantou ainda ter sido «obrigado» a adquirir uma empresa, a Gestão de Operações de Metlomecânica (GOM) - detentora das licenças das viaturas blindadas de rodas (VBR) 8x8 Pandur II -, através de uma outra, sediada «off-shore», por «alguns milhões de euros», para poder participar no negócio de fabrico e ter acesso a «mais de 100 e tal milhões de euros» em valor de direitos herdados.

«Responsabilizo o atual Ministro da Defesa pelo desastre e mais ninguém. Quem matou o programa foi ele e pôs os meus 200 trabalhadores em casa, sem trabalho. Nasce como o melhor ministro da Defesa de sempre e acaba como o pior», insurgiu-se, acrescentando nunca ter visto «um ministro tão fraco, tão baixo, tão incompetente» e desaconselhando-o a «passar a ponte» para a margem sul do Tejo.

Em causa está a denúncia do contrato pelo Estado português e acionamento das garantias bancárias, decididas por José Pedro Aguiar-Branco devido ao incumprimento de prazos de entrega dos 260 veículos por parte dos fornecedores contratados, neste caso a norte-americana General Dynamics, que tinha adquirido a austríaca Steyr, tendo por sua vez subcontratado a portuguesa Fabrequipa.

Reconhecendo que o antecessor socialista, Augusto Santos Silva, também já tinha feito cinco admoestações no sentido de denunciar o acordo, Francisco Pita revelou ter votado «no atual Governo», mas acusou Aguiar-Branco de ter cometido «um crime», dizendo falar em nome dos seus trabalhadores.

«Não sou amigo (de Portas), não tive nenhum telefonema, nem reunião em relação aos Pandur. As únicas ocasiões em que nos cruzámos foi na Universidade Católica, onde fomos colegas, e uma vez em casa de um amigo comum, também há muitos anos», esclareceu, quando inquirido sobre eventual proximidade com o atual vice-primeiro-ministro.

Segundo Pita, Portas, que «está completamente limpo em todo o processo Pandur», «foi o melhor ministro da Defesa que Portugal teve». O empresário reconheceu ter sido «militante do CDS desde 1974, candidato a deputado várias vezes nesses tempos difíceis», mas abandonou o partido democrata-cristão ao mesmo tempo que um dos seus fundadores, Adriano Moreira.