Nuno Morais Sarmento tem estado afastado da governação desde que Jorge Sampaio usou em 2004 a chamada "bomba atómica" para fazer cair o Governo de Santana Lopes, do qual fazia parte como ministro da Presidência do Conselho de Ministros, cargo que ocupou também antes com Durão Barroso. Mas isso não significa que tenha dito adeus à política. Aliás, já antecipa cenários e um deles é que Passos Coelho saia da liderança se António Costa conseguir levar a legislatura até ao fim. Em entrevista ao Diário de Notícias diz que, nesse caso, admite entrar na corrida à sucessão. Embora frise que não quer ser presidente do PSD “desde pequenino”.

Ao mesmo tempo que analisa o futuro do PSD e o atual líder, também fala da geringonça que dá suporte ao Governo, das autárquicas e ainda do CDS-PP. 

Comecemos pelo seu partido: diz que Passos Coelho é "o líder natural". "Teria sido incompreensível e politicamente errado a todos os títulos ter estado a discutir a liderança do PSD no último congresso”. Não vê ninguém que pudesse estar à frente do partido neste momento, até porque foi Passos quem ganhou as eleições. No entanto, se António Costa cumprir a legislatura até ao fim, a coisa muda de figura.

"Não há nenhum impedimento que faça não me candidatar a líder do PSD. Mas a minha realização profissional não passa por aí. Se é um sonho, que outros tiveram, como Marques Mendes, não. Não quero ser presidente do PSD desde pequenino”

Questionado sobre nomes como Luís Montenegro, Maria Luís Albuquerque, Pedro Duarte ou Eduardo Martins para a liderança, disse que isso é estar a misturar “alhos com bugalhos”. E tem outras preferências, caso o atual Governo não chegue até ao fim. “Depende das circunstâncias. Se tivermos o país em estado de sítio por razões económicas, daqui a três anos, farei a escolha por um tipo de perfil de Passos ou [Rui] Rio”. Se as condições forem outras, terá outras escolhas, mas não adiantou mais.

"Costa tem tática, não estratégia"

Na mesma entrevista, faz um elogio a António Costa, ao dizer que “o mais importante cumprimento” que se pode fazer ao atual primeiro-ministro é que está a ter a “capacidade política de manter a geringonça a funcionar”.

Só que isso mostra que Costa “não tem estratégia, tem apenas tática”, porque “se limita a gerir esta política no dia-a-dia”. Critica o sumo político do congresso do PS do passado fim de semana, porque faltou responder a se esta coligação de esquerdas é estratégia ou circunstância e, também, se a aposta económica do Governo no consumo interno está ou não a funcionar. “Não vou embarcar na crítica fácil, mas todos os indicadores estão a dar sinal negativo”, atira.

CDS, Marcelo e Santana

À direita, perspetiva Nuno Melo como o futuro grande líder do CDS-PP. Assunção Cristas, que sucedeu a Paulo Portas, é por Morais Sarmento vista como uma espécie de amortecedor entre aqueles dois. "Mas às vezes os buffers vviram coisas sérias", deixa no ar.

Quanto ao atual Presidente da República, diz que há um “tempo novo” com “Marcelo a ser Marcelo”. Um chefe de Estado mais próximo, “com os riscos que isso traz”, porque quando tiver de tomar determinadas decisões, o povo pode não analisar a questão com distanciamento. Ele que, para si, foi o melhor líder da oposição de sempre. “Meteu golos na baliza do Governo, na regionalização, no totonegócio, no aborto”.

Quanto às eleições autárquicas que se realizam no outono de 2017, Morais Sarmento vê em Santana Lopes a pessoa certa para estar à frente da câmara da capital. A seguir a Nuno Krus Abecasis, “o único que parceu- não lhe dera tempo – querer olhar Lisboa como paixão e não ponto de passagem” foi Santana Lopes.