"Se for preciso escolher entre viver em dignidade ou com o euro", Catarina Martins não tem dúvidas de que Portugal deve escolher a dignidade. E qualquer governo tem de estar preparado para sair da zona euro, se contrariar a Alemanha, mais particularmente o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, defendeu a coordenadora do Bloco de Esquerda, em entrevista à TVI24.

"Qualquer governo que não queira obedecer ao senhor Schauble tem de estar preparado para o BCE não fechar a banca ou o senhor Schauble dar um pontapé para fora do euro"

Catarina Martins fez notal que o Bloco de Esquerda não defende a saída do euro, mas é preciso que Portugal esteja "preparado para todas as chantagens e ameaças". 

"É a única forma de romper com a austeridade... Senão pode bem acabar com um programa não de rompimento da austeridade, mas com o que o senhor Schäuble decidir para o país", reforçou.

A dirigente do Bloco de Esquerda disse que o ministro alemão representa a "política má" na Europa. "Decidem uns por todos". Uns, leia-se, a Alemanha. 

Sair do euro "não é incompatível com austeridade", admitiu, mas a integração europeia que existe "foi feita à medida da Alemanha". E retirou produtividade aos outros países, apesar de os "preguiçosos do sul" trabalharem "muito mais horas por ano".

Uma coisa é certa, para o Bloco, e Catarina Martins insistiu:

"Austeridade como moeda única não serve. Austeridade significa que os filhos vão viver sempre pior que os pais, que os netos vão viver sempre pior do que os avós e que Portugal é um repositório de mão de obra barata".


"Reestruturação da dívida não chega"


Sobre a reestruturação da dívida, Catarina Martins lembrou com ironia quem chamou os bloquistas de "caloteiros" há quatro anos quando falavam nessa necessidade para Portugal e não só.

Hoje que o próprio FMI admite que será esse o caminho, mais cedo ou mais tarde, a dirigente do Bloco levanta a sua bandeira, mas lembra que só isso "não chega".

"A reestruturação da dívida permitirá travar a transferência de riqueza com o estrangeiro, mas em Portugal não passa só pela relação com os especuladores, mas pela melhor distribuição de rendimento no país"


"Situação grega é impossível, não vale a pena defender o indefensável"


O Bloco de Esquerda "não acompanha minimamente este plano" para a Grécia. Houve o referendo, que o partido de Catarina Martins aplaudiu, mas depois o primeiro-ministro grego acabou por ceder praticamente em toda a linha. A dirigente do Bloco não critica Tsipras, critica a "vacina" que se quis aplicar, com Atenas como bode expiatório.

"A situação pública grega é impossível. O próprio Tsipras diz que o acordo não funciona. Não vale a pena defender o indefensável... Não tenho dúvidas nenhumas que o que foi feito à Grécia foi para beneficiar a coligação e outros partidos na Europa. Tentar acabar com movimentos de esquerda que apareceram. Fez parte de uma vacina contra a esquerda na Europa. não tenho dúvidas nenhumas", respondeu a Paulo Magalhães. 

Quis lembrar, também, que se filmaram muitas filas multibanco, mas "antes não se filmaram as filas para ter sopa e os 3 milhoes de pessoas a tentar ter acesso aos hospitais públicos", sem conseguirem. 
 

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