"O que a Constituição diz: o Presidente da República deve ouvir os partidos e na sequência dessa audição indigitar os partidos, o que deve ser feito a partir de hoje", já com 100% dos votos contados. A contagem dos votos dos emigrantes terminou precisamente esta quarta-feira. 

"O que eu faria claramente é que indigitaria o primeiro-ministro que me fosse sugerido por uma determinada maioria parlamentar, se houver acordo por maioria de partidos, seja à esquerda, seja à direita, seja ao centro, eu entendo que o Presidente da República deve indigitar esse primeiro-ministro e viabilizar essa solução de governo. Não vejo que possa ser de outra maneira no quadro da Constituição"

"Se calhar é o tempo de haver agora" uma maioria de esquerda, admitiu, considerando muito "interessante" que tenha regressado "o tempo da política" em Portugal. "Estávamos cansados do tempo das inevitabildiades" dos mercados, atirou. 

Nóvoa recusa que um governo de esquerda seja estar a virar os resultados das eleições do avesso. "A Constituição é muito prudente sobre essa matéria", respondeu ao jornalista Paulo Magalhães.

"Mais independência tenho eu"

"Quando se fala em independência, e independência dos partidos, é normal que alguém que nunca teve filiação partidária, tenha maior independência do que alguém que durante 40 anos [tenha estado na vida partidária]... Compreenderá que não estou a fazer interpretação absurda. Estou a falar de Maria de Belém, de Marcelo Rebelo de Sousa que, legitimamente, têm uma biografia partidária, mas têm menos legitimidade da independência do que eu tenho"

"confusões indesejáveis entre ser comentador e candidato"domingo

Já sobre Maria de Belém, que foi ontem entrevistada na TVI, criticou a "indisponibilidade" da candidata em responder com "clareza" às perguntas de Judite sousa. "Eu tenho clareza de ideias, não estou numa espécie de nim".

Sobre se há excesso de candidaturas à esquerda, Nóvoa riu-se, primeiro, e depois disse que acha que não, que "em democracia todas as vozes são bem-vindas". Sobre se isso beneficiará que haja um vencedor da área política da direita nas presidenciais, Sampaio da Nóvoa respondeu: "Os portugueses decidirão".