Se fosse Cavaco Silva, Sampaio da Nóvoa não teria dúvidas em como agir para resolver o atual impasse político. Havendo uma maioria parlamentar com consensos entre os partidos, indigitaria um Governo sugerido por essa via. E não o partido mais votado. O atual Presidente da República ainda não indigitou o primeiro-ministro, mas encarregou Passos Coelho de formar Governo, antes até de ouvir os outros partidos. Na TVI24, Sampaio da Nóvoa lembrou o que diz a Lei fundamental:

"O que a Constituição diz: o Presidente da República deve ouvir os partidos e na sequência dessa audição indigitar os partidos, o que deve ser feito a partir de hoje", já com 100% dos votos contados. A contagem dos votos dos emigrantes terminou precisamente esta quarta-feira. 

"O que eu faria claramente é que indigitaria o primeiro-ministro que me fosse sugerido por uma determinada maioria parlamentar, se houver acordo por maioria de partidos, seja à esquerda, seja à direita, seja ao centro, eu entendo que o Presidente da República deve indigitar esse primeiro-ministro e viabilizar essa solução de governo. Não vejo que possa ser de outra maneira no quadro da Constituição"

Sampaio da Nóvoa recordou que é prática comum na Europa e um sinal de maturidade democrática "que funcione a solução que assegure a maior estabilidade política e governativa para o país". Mesmo com PCP e BE acredita que é possível que haja essa estabilidade. "Com certeza, nem mais nem menos do que qualquer outra frente. Não há partidos de primeira nem patidos de segunda, votos que prestam e outros que não prestam".

"Se calhar é o tempo de haver agora" uma maioria de esquerda, admitiu, considerando muito "interessante" que tenha regressado "o tempo da política" em Portugal. "Estávamos cansados do tempo das inevitabildiades" dos mercados, atirou. 

Nóvoa recusa que um governo de esquerda seja estar a virar os resultados das eleições do avesso. "A Constituição é muito prudente sobre essa matéria", respondeu ao jornalista Paulo Magalhães.


"Mais independência tenho eu"

Na segunda parte da entrevista, dedicada à corrida às Presidenciais, e depois de Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa terem finalmente oficializado as suas candidaturas, Sampaio da Nóvoa passou ao ataque aos dois adversários. 

"Quando se fala em independência, e independência dos partidos, é normal que alguém que nunca teve filiação partidária, tenha maior independência do que alguém que durante 40 anos [tenha estado na vida partidária]... Compreenderá que não estou a fazer interpretação absurda. Estou a falar de Maria de Belém, de Marcelo Rebelo de Sousa que, legitimamente, têm uma biografia partidária, mas têm menos legitimidade da independência do que eu tenho"

Nóvoa criticou o "calculismo" de Marcelo Rebelo de Sousa, com "confusões indesejáveis entre ser comentador e candidato" que, do seu ponto de vista, "não correram bem para a Democracia". "Ainda aconteceu nesta estação no domingo, são coisas que não são bonitas do ponto de vista democrático, que são evitáveis", condenou.

Já sobre Maria de Belém, que foi ontem entrevistada na TVI, criticou a "indisponibilidade" da candidata em responder com "clareza" às perguntas de Judite sousa. "Eu tenho clareza de ideias, não estou numa espécie de nim".

Sobre se há excesso de candidaturas à esquerda, Nóvoa riu-se, primeiro, e depois disse que acha que não, que "em democracia todas as vozes são bem-vindas". Sobre se isso beneficiará que haja um vencedor da área política da direita nas presidenciais, Sampaio da Nóvoa respondeu: "Os portugueses decidirão".