A procuradora geral da República, Joana Marques Vidal, escusou-se a comentar as declarações de José Sócrates, que a acusou de ser responsável por um processo “odioso”.

Questionada pelos jornalistas quando participava no lançamento do livro “25 Anos APAV 1990/2015”, no Ministério da Justiça, a procuradora não quis falar sobre o caso.

Em entrevista à TVI o antigo primeiro-ministro disse na segunda-feira que a procuradora é a “principal responsável pelo comportamento do Ministério Público” no processo “operação Marquês” e que o caso serviu para prejudicar o PS nas eleições legislativas.

Joana Marques Vidal “é a principal responsável por este processo, tem de dar uma explicação pública pelo comportamento do Ministério Público e pelo facto de todos os prazos estarem esgotados", disse.


José Sócrates (que esteve preso preventivamente e está indiciado por corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais), defendeu que a condução deste “odioso processo” com uma "dimensão selvática” teve como consequência política “o PS perder as eleições”.

Já hoje, num comentário às declarações de Sócrates, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público considerou que as acusações de José Sócrates ao trabalho dos magistrados da “Operação Marquês” é uma “narrativa sem qualquer suporte de realidade”.

“Toda a narrativa construída ontem [segunda-feira] não tem qualquer suporte na realidade, por esta razão: o Ministério Público (MP) não é nenhuma associação criminosa que se dedica a aterrorizar as famílias dos arguidos. O MP tem como objetivo o exercício da ação penal daqueles que cometeram crimes”, disse António Ventinhas.