A coordenadora do BE, Catarina Martins, exigiu ao Governo "coragem" para cortar nas rendas excessivas da energia e assim permitir que já em 2018 a conta da luz baixe pela primeira vez em Portugal.

Num jantar comício da campanha autárquica, em Setúbal, Catarina Martins trouxe um tema antigo pelo qual o BE se bate, antecipando que, esta semana, a Entidade Reguladora dos Serviços Energético (ERSE) "vai dizer o que é se pode fazer com os contratos CMEC" (Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual), ou seja, "como é que se podem baixar os valores que estão a ser pagos porque se chegou à conclusão que se está a pagar muito mais do que devia".

Esta semana, a entidade reguladora dá a possibilidade ao Governo de cortar nas rendas da energia e portanto, nos próximos dias, o Governo será confrontado com a seguinte escolha: ter a coragem de cortar nas rendas da energia para assim proteger os consumidores e fazer baixar a conta da luz ou deixar tudo na mesma", atirou.

A líder do BE foi perentória na exigência que "não se desperdice esta oportunidade" porque "a conta da luz pode baixar pela primeira vez em 2018" se houver "a coragem de acabar com o excesso nas rendas dos CMEC".

Esta semana, a ERSE vai fazer as contas aos CMEC, que são uma sigla que as pessoas conhecem porque andam em processos judiciais para trás e para a frente, mas há também um problema político para resolver - independentemente do caminho dos tribunais - que é estes contratos serem um verdadeiro assalto na conta da luz", explicou.

A 14 de junho, o Parlamento já tinha aprovado, com a abstenção do PSD, o projeto de resolução do BE que recomendava ao Governo que eliminasse as rendas excessivas no setor elétrico, em particular, nos CMEC.

Sabem como o BE se bateu para que a tarifa social da energia passasse a ser automática e assim passou das 80 mil famílias para 800 mil famílias", recordou ainda Catarina Martins.

"Sorvedouro de salários e pensões"

A coordenadora do Bloco de Esquerda assegura, contudo, querer ir ainda mais longe para "fazer baixar a conta da luz para toda a gente em Portugal".

Porque a conta da luz é um sorvedouro de salários e pensões para dar um lucro inaceitável à EDP e às energéticas", justificou.

Segundo Catarina Martins, "aquilo com que o país sabe que conta é com a enorme determinação do BE para este passo de justiça que é parar com os abusos das elétricas e ter contas da luz mais comportáveis para as famílias".

Esta conta da luz é tão pesada porque ao longo dos anos foram feitos contratos ruinosos com as energéticas, fruto daquela porta giratória entre os governos e o conselho de administração das empresas, e anos e anos de governos PS, PSD e CDS criaram as rendas excessivas no setor energético que são um assalto na conta da luz de todas as famílias", explicou.