Grande parte dos emigrantes portugueses que foram viver para o Luxemburgo nas últimas três décadas são mão-de-obra pouco qualificada. O primeiro-ministro português visitou esta quarta-feira o país e recebeu avisos do seu homólogo: o Luxemburgo não tem condições para receber mais mão-de-obra pouco qualificada.

«É preciso parar de pensar que vir para o Luxemburgo é garantia de encontrar um emprego», começou por alertar Xavier Bettel.

«Nós temos hoje uma situação em que um grande número de pessoas se encontra em quartos de café, que pagam muito caro, em condições extremamente precárias, sem emprego», argumentou.

Os portugueses representam 16% da população luxemburguesa. Passos Coelho garantiu que a crise não tem aumentado a emigração, mas não deixou de ouvir o recado de Bettel. 

Os problemas encontrados pelos portugueses no sistema educativo luxemburguês foram um dos assuntos abordados entre os dois líderes, que concordaram na necessidade de uma melhor integração. 

Na mesma visita, Passos Coelho advertiu que Portugal não subscreverá conclusões da União Europeia sobre o «pacote energia» que ignorem a questão das interconexões. Do Luxemburgo, o chefe de Governo viaja para Bruxelas, onde decorrerá, na quinta-feira, mais um Conselho Europeu. 

O primeiro-ministro luxemburguês pronunciou-se, por sua vez, sobre o caso BES, dizendo que «cabe à justiça fazer o seu trabalho»