O vice-primeiro-ministro Paulo Portas disse hoje em Macau que «a relação com Angola é insubstituível», no mesmo dia em que a embaixada angolana em Lisboa foi vandalizada por um grupo de desconhecidos.

«Estamos absolutamente juntos na relação com a China porque Portugal como Angola, como todos os outros países lusófonos, faz parte do bloco de países que falam português, como eu costumo dizer com vários acentos, e a relação com Angola é insubstituível», afirmou o vice-primeiro-ministro.

A declaração de Paulo Portas foi proferida à margem do Fórum Macau, no mesmo dia em que foi noticiado o ato de vandalismo à embaixada de Angola em Portugal por «elementos desconhecidos», que provocaram alguns danos materiais, confirmou à agência Lusa o assessor de imprensa da representação diplomática angolana.

O Governo português condenou hoje «os desacatos cometidos» esta manhã contra a embaixada.

De acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, foi contactado «o embaixador de Angola em Lisboa e foram tomadas pelas autoridades policiais as medidas necessárias para apurar responsabilidades e reforçar a proteção e a segurança da missão diplomática angolana».

Já Marcelo Rebelo de Sousa considerou, no comentário no Jornal das 8 da TVI, que o incidente diplomático com Angola «poderia ter sido largamente evitado» caso o Ministério Público tivesse notificado o PGR angolano do arquivamento do processo que o envolvia. Também Daniel Proença de Carvalho defendeu, em entrevista na TVI24, que a Procuradora-Geral da República deveria ter «telefonado» ao PGR angolano dando conta do arquivamento do processo.

Recorde-se que as relações entre Portugal e Angola atravessam um momento conturbado sobretudo depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, ter apresentado um pedido de «desculpas» pelos processos judiciais que decorriam em Portugal e que envolviam não só o PGR angolano como altas figuras da elite angolana.

O «ponto crítico» das relações diplomáticas deu-se quando José Eduardo dos Santos anunciou que «as coisas com Portugal não estavam bem» e declarou o fim da «parceria estratégica com Portugal». As declarações do Presidente angolano levaram à intervenção de Cavaco Silva que contactou o gabinete de José Eduardo dos Santos, numa conversa que «correu bem».

Os motivos que levaram ao ataque deste domingo e os autores são ainda desconhecidos.