O advogado detido no âmbito do processo que também envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates ainda não solicitou qualquer intervenção à Ordem dos Advogados (OA), disse este domingo a bastonária, Elina Fraga.

À margem da sua participação na IX Convenção das Delegações da OA, que terminou em Vilamoura, concelho de Loulé, Faro, Elina Fraga explicou que os sócios da Ordem dos Advogados podem pedir apoio jurídico quando estão em causa processos relacionados com «o exercício da função».

«A OA concede patrocínio aos advogados que o solicitarem em situações em que o patrocínio se justifique por causa do exercício de funções. Sempre que um advogado tenha um litígio por causa do exercício de função ou por causa desse mesmo exercício de função, pode solicitar a intervenção da Ordem», esclareceu a bastonária à agência Lusa.


Questionada sobre o advogado detido no âmbito do caso que também levou à detenção de José Sócrates e mais duas pessoas por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, Elina Fraga respondeu que ainda não teve conhecimento de qualquer pedido.

«No caso concreto que me referiu, pelo menos que eu tenha conhecimento, enquanto bastonária, não foi ainda solicitado. E não falarei da situação em concreto», disse.


Elina Fraga acrescentou que os advogados têm de «ser livres e independentes» e assegurou que a Ordem «intervirá em sua defesa» sempre que, por força do exercício das suas funções «houver um recuo na liberdade, na independência, naquilo que são prerrogativas dos advogados».

O advogado Gonçalo Trindade Ferreira, o empresário Carlos Santos Silva e o motorista José Perna foram detidos na quinta-feira, no âmbito de um inquérito conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).