Os emigrantes portugueses na Venezuela foram sábado e hoje votar para a eleição do próximo Presidente da República, um gesto que entendem ser "uma maneira de manter uma ligação" e que os aproxima da terra de nascimento.

"Para mim é importante manter uma ligação, uma proximidade. Eu nasci lá, tenho família lá e adoro Portugal. Todos os dias falo com (para) Portugal", explicou uma emigrante portuguesa à Agência Lusa.

Na Venezuela desde há 42 anos, doméstica, e quase a fazer 60 anos, Dina Maria Gonçalves Rodrigues de Jesus, nasceu em Loulé e vive em Ocumare del Tuy (sudoeste da capital), de onde viajou 80 quilómetros para votar no Consulado Geral de Portugal em Caracas.
 

"Sou de Loulé, Algarve, a zona mais linda de Portugal. Estive lá em setembro (de 2015). Portugal está sempre bonito, principalmente a minha zona", disse.


Por outro lado, com as lágrimas nos olhos, explicou que "há um ano, devido à situação" venezuelana, a "filha foi embora para lá, com os dois netinhos".

"Estão tratando de adaptar-se. Aqui, a situação, com as crianças, era difícil conseguir leite e fraldas e tomaram a decisão (de ir embora), apesar de o marido ser um 'criollito' (venezuelano sem ascendência estrangeira)", disse.

A doméstica Natália Fernandes Gonçalves Ferreira, natural do Campanário, Madeira, com 62 anos, explicou que foi votar porque quer ficar sempre ligada à sua terra.
 

"É a primeira vez que venho votar. Estamos longe, viajámos, mas continuamos a ser portugueses e é muito importante manter esse vínculo. Estive em Portugal, pela última vez, há cinco anos. Não há terra como a nossa, e não há nada como a democracia", frisou.


Natural de Estarreja, Aveiro e na Venezuela há 60 anos, o médico neurologista Mário Bastos, explicou à Agência Lusa que "é sempre muito importante manter uma relação com o país" de origem.

"Nasci lá, os meus pais continuaram com os costumes e tradições (portuguesas). Tenho família aqui e lá e estamos sempre em contato, acompanhando com interesse a situação no país", disse o médico de 68 anos, que está na Venezuela desde os 8 anos.

Para o comerciante João Abílio de Sousa Sequeira, de 74 anos, as razões para votar, estão ligadas às saudades de Portugal.
 

"Vim votar porque é um direito e um dever, mas também porque mantenho uma relação de saudade com Portugal. Gosto muito e de vez em quanto tento ir lá", disse.