Os militantes do movimento Tempo de Avançar vão eleger os candidatos a deputados às próximas eleições legislativas, ao contrário da maioria dos partidos políticos, em que a nomeação é feita pelas lideranças.

Esta é uma das decisões tomadas pelo Tempo de Avançar numa reuniu deste sábado, em Lisboa, e em que foram debatidos o funcionamento do movimento, a situação política e a estratégia da candidatura até às eleições legislativas.

Ricardo Sá Fernandes, membro do movimento, afirmou à agência Lusa que o Tempo de Avançar vai utilizar este sistema «pela primeira vez em Portugal» e que até 25 de abril se irá «lançar um desafio às pessoas que comunguem dos nossos valores para se apresentarem às eleições primárias para a escolha dos candidatos às eleições legislativas deste ano».

Para o advogado, o movimento quer «deixar a política do blábláblá, de apenas anunciar ideias muito gerais», mas sim «fazer um programa de governo» porque o movimento «não tem medo de ser governo».

Ricardo Sá Fernandes referiu que «a esquerda à esquerda do Partido Socialista viveu sempre como uma voz de protesto incapaz de se relacionar com a ideia de governo e queremos romper com isso».

Aliás, o militante anunciou que «nas próximas semanas» o movimento vai apresentar soluções concretas como se «propostas para um governo» se tratasse.

O advogado adiantou que o movimento quer «alterar a maneira de fazer política em Portugal e a forma como os portugueses se relacionam com a política», acrescentando que estes «não se revêm no quadro político que têm, nas forças partidárias que têm».

Ricardo Sá Fernandes observou que a situação política atual é «pastosa, opaca em que o clientelismo e o favorecimento são a regra», sendo que um dos problemas «é que se depende apenas das lideranças partidárias divorciadas do povo».

Sobre o Podemos, Sá Fernandes adiantou que apoiam o movimento espanhol, «mas o Tempo de Avançar tem o seu percurso», acrescentando que, principalmente no sul da Europa «há um grande movimento de revolta contra um sistema político que se tornou prisioneiro de partidos que se divorciaram dos cidadãos e do povo».

Relativamente a possíveis alianças à esquerda, Sá Fernandes disse que o movimento não «fechará o diálogo com ninguém», não tendo uma posição contra o PS, PCP ou Bloco de Esquerda.

«Queremo-nos afirmar pelas nossas próprias propostas e dizemos que, no dia seguinte às eleições, estamos disponíveis para conversar com as pessoas da nossa área política para estabelecer soluções de compromisso. Temos baliza às quais não podemos ceder, mas há uma margem de convergência e de compromisso com aqueles que fazem parte do nosso espaço político.»


A 31 de janeiro, independentes e movimentos como o LIVRE aprovaram linhas programáticas do Tempo de Avançar, que vai lutar por «cidadãos sem medo» e com voz e por um país «com futuro», nas palavras de Rui Tavares.

Nas linhas programáticas, um documento de cinco pontos (depois subdivididos) defende-se a reestruturação das dívidas dos países da União Europeia e que o Estado português faça uma auditoria à dívida pública.