O vice-presidente do PSD, Marco António Costa, acusou este domingo o PS de ter «um medo reverencial do voto dos emigrantes» durante a reunião anual, em Paris, das estruturas sociais-democratas da emigração na Europa.

«Sabemos que o Partido Socialista teme o voto dos emigrantes. O Partido Socialista tem um medo reverencial do voto dos emigrantes», disse à Lusa Marco António Costa, acrescentando que «o PS tem sido sempre um obstáculo a uma atitude mais disponível de criar condições para uma maior participação da emigração nos atos eleitorais».

O porta-voz do PSD acrescentou que os socialistas «não querem que a emigração participe mais ativamente porque provavelmente têm medo de perder o único deputado que têm e ficarem os quatro deputados eleitos pelo PSD», numa referência aos parlamentares eleitos pelo círculo da emigração.

O dirigente social-democrata acusou ainda a «nova direção do PS« de passar «mais tempo a gerir as crises internas do que a falar para fora, para os portugueses».

«Nunca nos esquecemos dos emigrantes. Hoje é assumido com grande clareza que os governos do PSD dão sempre uma grande importância à nossa emigração e à nossa diáspora», contrapôs Marco António Costa, exemplificando com «a valorização do ensino do português no estrangeiro» e «as permanências consulares».

A reunião dos dirigentes sociais-democratas portugueses realizou-se na sede do Partido UMP, liderado pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, com Marco António Costa a sublinhar a «extrema importância» do encontro e «o papel relevantíssimo» dos representantes sociais-democratas para «dar voz à diáspora» e lamentando «não haver mais participação» dos emigrantes nas eleições portuguesas.

«Foi uma reunião de prestação de contas e também para perspetivar aquilo que será o processo político que nos levará até às eleições legislativas de outubro«, continuou Marco António Costa, destacando ainda que foram ouvidas as «preocupações» dos emigrantes através dos dirigentes locais do PSD.

«Recebi queixas muito significativas da falta de qualidade que a RTP Internacional tem. Apresenta um país 'démodé', um país do século passado. Infelizmente, a RTP Internacional não está a prestar um serviço adequado aos interesses da nossa comunidade. É uma das matérias em que o Estado português falhou», afirmou o dirigente quando questionado sobre as «queixas» dos emigrantes.

A reunião contou também com a presença do secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, e do deputado eleito pelo círculo da Europa, Carlos Gonçalves.

José Cesário afirmou à Lusa que «até ao verão deverá haver uma ideia mais precisa dos valores que estão em causa» relativamente ao Programa Vem - Valorização do Empreendedorismo Emigrante - previsto no Plano Estratégico para as Migrações.