O antigo líder do CDS Freitas do Amaral defendeu hoje, em Fafe, que António Guterres seria um grande Presidente da República e considerou que essa opinião é partilhada por «quase todas as pessoas em Portugal».

«O problema é se ele não quer. Ele tem todo o direito de não querer ser candidato», acrescentou o antigo candidato presidencial, admitindo desejar a candidatura do antigo primeiro-ministro.

Falando aos jornalistas à margem de uma conferência que proferiu, no âmbito do Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade, Freitas do Amaral disse desejar que as eleições presidenciais sejam disputadas por António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa.

«Eram [eleições] mais interessantes. Eram duas personalidades de grande relevo, bem conhecidas do povo português, que podia fazer uma escolha muito consciente e fundamentada. São pessoas que andam na política há 40 anos», afirmou.

Freitas do Amaral criticou também Cavaco Silva por não ter antecipado as eleições legislativas.

«Vai ser mau para a formação do Governo e elaboração do próximo Orçamento do Estado, mas gera um compasso de espera excessivo em que os partidos ainda não estão prontos para discutir os seus projetos para as legislativas, em que o país está à espera que chova», observou.


Para o antigo candidato presidencial, a não antecipação das legislativas gerou «um compasso de espera que não está preenchido por ninguém».

Se as eleições fossem em julho ou julho, frisou, «não estavam agora a aparecer candidatos presidenciais, porque já haveria programas dos partidos e candidatos a deputados».

«Isto é mais uma prova de que as legislativas deviam ser antecipadas», insistiu.


Freitas considerou também haver um «certo consenso no sentido de que os candidatos principais só avançarão depois das eleições legislativas, que são mais importantes».

O antigo líder do CDS mostrou-se ainda preocupado com a possível abstenção elevada nas próximas legislativas, considerando que poderá «revelar um certo descontentamento do sistema».

«Por isso é que propus em tempos o voto obrigatório», exclamou, acrescentando: «No dia em que as abstenções numas eleições legislativas passarem os 50% ou adotamos o voto obrigatório ou arriscamos que a democracia fique em causa e paralisada no seu potencial criador das alternativas».