Faltava essa palavra. Faltava ouvir absoluto na campanha da coligação Portugal à Frente. E foi esta noite, em Braga, mas sem antes se ouvir a palavra maioria; sem a combinação dos dois termos porque Passos Coelho assim não quis: “Já perceberam porque não gosto de falar em absoluto? Ninguém gosta de poderes absolutos... O que nós queremos não é absoluto, é estabilidade para governar”.

Perante casa-cheia em Braga, mais os que não conseguiram entrar, e ouviam as intervenções do lado de fora, o primeiro-ministro sublinhou que quer “uma maioria ao serviço de todos os portugueses, com separação de poderes: há justiça o que é da justiça, ao Presidente da República o que é do Presidente, ao Parlamento o que é do Parlamento, ao Governo o que é do Governo”. Uma explicação que serve para pedir apenas maioria na Assembleia da República, e deixar de fora os pedidos de maioria absoluta.

Embalado pelas sondagens – que não comenta – a não ser para ser dizer que as  “sondagens não votam”, e pela receção no distrito de Braga, o primeiro-ministro apelou ainda ao voto no próximo dia 4 de outubro; já Moreira da Silva e Telmo Correia tinham sido explícitos ao eleger a "abstenção" como o inimigo número 1. 

“Nós sabemos que os resultados que fomos obtendo nos mobilizam todos os dias”, referindo-se aos indicadores económicos que não se cansa de repetir a cada intervenção. 

“Sofremos todos muito para chegar onde chegamos: todos os que estivemos no Governo tivemos alguém na família afetado pelo desemprego, pelo salário, pelos impostos ou por cortes nas pensões. Tenho de tudo isso na minha família. Mas agimos para andar para a frente”.


“Não era possível fazer diferente, se quiséssemos tirar o país da situação em que estava”, sublinha, para dizer que “as pessoas compreendem que afinal o que cada uma pensava pela sua cabeça não era diferença do que também pensavam”. E há tantas pessoas que assim pensam. “Que depois de tanto pelo que passaram, sabem que não há nada de errado apoiar o que deu certo. Estranho era apostar no que deu errado”.

No arranque da segunda semana de campanha, as baterias apontam ao eleitorado que ainda não decidiu o que fazer, numa tentativa de reconciliação com os típicos votantes no PSD e CDS-PP, que levaram a coligação à vitória em 2011. Por isso, hoje  Passos voltou a dar a mão a funcionários públicos, pensionistas e contribuintes, penalizados pelos anos de austeridade. Uma "declinação" no discurso que vai aprofundando as razões do PAF para apostar tudo no eleitorado do centro.