O novo partido +Democracia Participativa (+DP) tem como objetivo de disputar as eleições legislativas de 2015, afirmou Rui Martins, porta-voz da força que realizou hoje o primeiro encontro nacional em Lisboa.

«O nosso objetivo neste momento é concorrer às legislativas de 2015. Aí, em princípio, teremos condições para apresentar uma candidatura», disse Rui Martins à agência Lusa, à margem do encontro, que decorreu num hotel de Lisboa.

Durante a tarde de sábado serão apresentados, discutidos e votados os estatutos, o programa e as sete ideias para Portugal, que resultaram de um debate através da internet.

«Esta será a primeira pedra que será lançada para um edifício que queremos que seja diferente para Portugal», resumiu Rui Martins.

O porta-voz notou que a diferença deste partido em relação aos outros é a «democracia participativa e a democracia representativa».

«Todos os partidos presentes hoje em dia no Parlamento defendem a democracia representativa. São representantes eleitos e perante os quais os cidadãos pouco controlo têm, a não ser de quatro em quatro anos poderem mudar ou rodar», comentou.

O +DP propõe uma «democracia 2.0, mais avançada, que permita, que os cidadãos participem mais nos assuntos que lhe dizem respeito, à sua rua, ao seu bairro, à sua comunidade».

O novo partido quer aproveitar mecanismos já existentes na democracia como referendos, iniciativas de cidadãos e movimentos participativos nas autarquias para «dar o salto na qualidade da democracia da aproximação entre eleito e eleitores».

Os eventuais futuros deputados do +DP atuarão apenas depois de ouvidos os apoiantes, numa lógica de «democracia interna, que espelha o que se defende para a democracia externa».

«Terão sempre uma palavra naquilo que será o voto expresso do nosso representante no fórum onde ele for eleito, seja autárquico, ou legislativo», explicou.

O processo de recolha das pelo menos 7.500 assinaturas para oficializar um partido «está a começar agora», porque até ao momento o +DP dedicou-se à «construção dos documentos programáticos e fundadores».

Rui Martins referiu estar a chegar-se à fase dos cidadãos, que «são indivíduos com preocupações cívicas e políticas, mas que não se integram e não se sentem representados por nenhum partido» e aproximaram-se do +DP.

Os eleitos do +DP «não têm que ser de Esquerda nem de Direita».

«A democracia participativa e direta não implica que haja uma formatação mental sobre o que a pessoa vai votar sempre. Vai decorrer sempre da vontade dos cidadãos que influenciarem o voto do seu representante no parlamento. Estamos além dessa separação clássica e anacrónica de Esquerda e de Direita», disse.

Na versão provisória do documento «7 Ideais para Portugal», o +DP defende «mobilizar todos os portugueses», «não à partidocracia, sim às candidaturas independentes», «uma sociedade mais justa e inclusiva», «mais transparência e responsabilização», «um novo paradigma económico», «um ambiente sustentável» e «eixos estratégicos nas relações internacionais: Europa e Lusofonia».