O movimento «Juntos Podemos» decidiu este sábado avançar para a formação de um partido político, após uma assembleia cidadã que decorreu durante todo o dia, no Porto, informaram os porta-vozes.

O objetivo passa por consumar uma candidatura às eleições legislativas de 2015, na medida em que, neste momento, garantem, já contam de 1000 assinaturas.

«Dentro de dois meses, esperamos ter as 7500 necessárias para submeter a candidatura à aprovação do Tribunal Constitucional», assegurou Henrique Dúria, um dos porta-vozes.

A decisão de avançar para um partido foi votada por 62 pessoas e eleita com 55 votos a favor e sete abstenções.

Nesta assembleia, foi ainda eleita uma comissão coordenadora, formada por 19 pessoas.

No entanto, o objetivo, asseguram, passa pela realização de sucessivos escrutínios de «assembleia em assembleia».

«Da próxima assembleia, poderá sair uma nova comissão coordenadora», explicou Manuela Magno, que liderou uma tentativa de candidatura independente às presidenciais de 2006, que seria chumbada pelo Tribunal Constitucional.

«A ideia aqui é colocarmos sempre o poder deliberativo nas pessoas», justificou Diogo Ferreira, também porta-voz.

Ficou ainda definida a data e o local da próxima assembleia: 28 de fevereiro, em Coimbra.

Frisando que a iniciativa conta com representantes de movimentos como «Que se lixe a troika», Manuela Magno destacou o facto de o «Juntos Podemos» ter uma base de apoio «muito alargada», que engloba «desde jovens a pessoas com mais de 80 anos de idade».

O movimento tem ainda uma plataforma digital, intitulada «Airesis», que conta com fóruns de discussão e que, em breve, garante Raquel Oliveira, igualmente porta-voz, permitirá que as votações não sejam apenas presenciais.

Frisou ainda que todas as propostas apresentadas durante a assembleia de hoje vão ficar disponíveis ‘online’ para que os membros do movimento possam propor alterações e para que depois possam ser votadas na próxima assembleia, em Coimbra.

Na primeira assembleia cidadã do «Juntos Podemos», que decorreu em Lisboa, a 14 de dezembro, foi eleita uma comissão dinamizadora do movimento, da qual faziam parte, entre outros, a ex-deputada do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias e o jornalista Nuno Ramos de Almeida.

Um mês depois, catorze elementos da mesma comissão decidiram dissolver este órgão, por considerarem «que havia uma tentativa de tomada de poder por parte de um partido organizado», justificou então à agência Lusa Nuno Ramos de Almeida.