O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa defendeu no sábado o voto obrigatório, mas lembrou que se trata de uma matéria em que tem de haver consenso e que com «este PS» tal não será fácil alcançar.

«Hoje em matéria de abstenção eu acho que era preciso ter a coragem « pode parecer politicamente incorreto - mas, dizer o seguinte: o voto tem que ser obrigatório», afirmou Marcelo rebelo de Sousa, durante um jantar/debate na Universidade Política de Lisboa da JSD, que decorreu num hotel de Lisboa.

Questionando até onde é que será preciso a abstenção subir para que as pessoas tenham a convicção da necessidade do voto obrigatório, o comentador televisivo recordou, contudo, que numa matéria fundamental como esse são necessários «consensos de regime».

Mas, acrescentou, «com este PS não é fácil ter consensos de revisão, nem em matérias fundamentais».

Por outro lado, os «partidos de contestação» também iriam todos protestar, «porque eles ganham com a abstenção».

«O "PC" vai atirar-se ao ar com defesa da democracia, o BE, uma parte do PS», admitiu.

Antes, o antigo líder social-democrata tinha também lançado algumas "farpas" ao secretário-geral do PS, considerando que António José Seguro «não tem substância».

«Olhamos através dele e vemos a parede que está atrás, é tão leve, tão leve, tão leve que se vê a parede que está atrás», ironizou.

Nas respostas às perguntas dos alunos da Universidade Política de Lisboa da JSD, Marcelo Rebelo de Sousa deixou também algumas críticas ao Governo, sublinhando que «o ponto mais crítico em relação à maioria tem sido a falta de cuidado na gestão política e na gestão de comunicação».

«A gestão neste momento dos sucessos económicos é uma prioridade para o Governo e para a maioria, a especulação sobre os cenários antes e depois das legislativas é uma não prioridade para a maioria», argumentou, considerando que os «cenários» devem ser deixados para os comentadores e que ninguém responsável no PSD deve fazer especulação.

«É um fator de ruído desnecessário, um dos encantos do PSD é criar ruído sobre si próprio», gracejou, aconselhando os membros do Governo a não darem «palpites».

Ainda em resposta a uma pergunta dos alunos da Universidade da JSD, o antigo líder do partido pronunciou-se sobre a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), admitindo que teria «muita dificuldade em engolir isso».

«Não é um sapo, não é um elefante, é uma manada de elefantes que eu tenho de engolir», disse, sustentando que para si os argumentos de princípio são mais importantes do que os argumentos económicos.

«Aquilo o que é que tem a ver com a comunidade de países de língua portuguesa? Eles falam português onde? Que afinidades culturais têm?», interrogou.

«Há limites, há um limite de bom senso», frisou.