O cabeça de lista da coligação Mudança (PS/PTP/MPT/PAN) às legislativas da Madeira, Victor Freitas, afirmou esta quarta-feira ser necessário explorar as potencialidades do mar do arquipélago e «adequar as transferências financeiras» para o setor.

No âmbito de uma viagem que fez de manhã entre o Funchal e Câmara de Lobos num barco de pesca, o candidato disse aos jornalistas que é fundamental começar a olhar para a Madeira «como um todo», até porque área marítima é 560 vezes superior à terrestre e tem necessidades especiais: «O Estado muitas vezes falha nessa proteção de que necessitamos».

Victor Freitas referiu que, apesar de a pesca (sobretudo de espada e atum) representar menos de 2% do Produto Interno Bruto do arquipélago, tem um peso importante em termos sociais, porque «alimenta muitas famílias», e considerou haver potencialidades ainda por explorar na denominada economia azul, inclusive ao nível da investigação.

«São necessários muitos meios e investigação. Sozinha, [a região] não tem capacidade para fazer essa investigação em relação àquilo que são as riquezas do nosso mar. Tem de existir da parte da Madeira e do Estado uma responsabilidade assumida por ambos no sentido de começarmos a explorar o mar.»


Sem apontar números, Victor Freitas defendeu que «o Estado tem de perceber a nossa realidade e adequar as transferências financeiras a esta nova Madeira», cujo futuro entende passar pelo mar.

O cabeça de lista lembrou que a partir de 2016 ficará delimitada em definitivo a dimensão marítima sob domínio português, o que, acrescentou, será uma oportunidade para fazer «imperar» esta nova política na gestão regional e reduzir as importações de produtos provenientes da pesca.

O também líder do PS no arquipélago aproveitou para desafiar o PSD (que governa a Madeira há quase 40 anos com maioria absoluta) a levar à campanha o presidente do partido e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: «Quem castigou tanto os madeirenses devia cá vir e ver a sua obra».

Questionado sobre declarações do líder do PTP/Madeira, José Manuel Coelho, sobre a reestruturação da dívida, no sentido de haver um perdão da mesma, Victor Freitas sublinhou que se trata de uma «visão partidária» e que «a síntese» da postura da coligação é a defesa de uma renegociação da dívida, com alargamento do prazo de pagamento.

Às eleições legislativas, convocadas pelo Presidente da República para 29 de março, concorrem 11 forças políticas, sendo oito partidos (PSD, CDS, JPP, BE, PND, PCTP/MRPP, PNR e MAS) e três coligações - Mudança (PS/PTP/MPT/PAN), CDU (PCP/PEV) e a Plataforma de Cidadãos ‘Nós Conseguimos’ (PPM/PDA).