O ex-líder do BE Francisco Louçã defendeu este sábado uma auditoria às contas da Madeira e afirmou que a renegociação da dívida regional deve ser feita no «contexto da reestruturação da dívida portuguesa», tema de que o PS «evita falar».

O economista participou este sábado à tarde, no Funchal, numa sessão pública do Bloco de Esquerda (BE) inserida na campanha para as eleições regionais de 29 de março, na qual disse acreditar que «haverá boas notícias» para o partido, atualmente sem assentos na assembleia legislativa.

Perspetivando que na próxima legislatura haverá quem queira «tapar o mais possível» a «economia de privilégios e de favorecimentos» da governação PSD, Francisco Louçã disse que uma das obrigações do parlamento regional será verificar as contas e os contratos públicos dos últimos anos.

«Uma auditoria, uma investigação detalhada, por uma comissão que o parlamento regional forme com os técnicos que sejam necessários neste contexto – e certamente na administração pública da Madeira existem muitas pessoas com esta competência – é absolutamente essencial para que estas prevaricações, estes desvarios, estas amizades não passem impunes e se possam ajustar as contas certas que a democracia tem de fazer com quem abusou dela», descreveu.


O ex-líder bloquista insistiu também, na sessão, na ideia de integrar a reestruturação da dívida do arquipélago numa necessária negociação da dívida nacional, sem que a Madeira fique separada do resto do país e de modo a que a resolução dos problemas não seja apenas adiada.

Por isso, disse não entender a posição do PS, que considerou «imprudente e inconsistente»: «Tem cartazes na Madeira a propor a negociação da dívida na Madeira, mas recusa a negociação da dívida de Portugal, não quer falar disso e evita que se fale disso».

Ainda antes da sessão, na qual o economista Ricardo Cabral traçou um quadro financeiro da região, Francisco Louçã declarou aos jornalistas estar satisfeito com a «espécie de consenso» sobre a necessidade de renegociação da dívida madeirense, apesar da posição socialista.

No seu entender, há que apostar numa «economia responsável pelas pessoas», reduzindo o peso dos impostos e levando o executivo e as empresas a criar emprego e a fixar a população mais jovem.

O ex-dirigente afirmou ainda que muitas pessoas – «a começar por Pedro Passos Coelho, que não aparece nestas eleições, ou Alberto João Jardim, que está refugiado em algum canto» – têm encarado o país como um «Portugal dos pequeninos».

O BE é um dos oito partidos que concorrem às legislativas de 29 de março, além de três coligações, uma delas, a Mudança, encabeçada pelo PS e com o apoio do PTP, do MPT e do PAN.

A sessão desta tarde contou com a presença do presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, que lidera a autarquia em nome de uma coligação com o mesmo nome, mas que reúne PS, BE, PTP, MPT e PAN.