O investigador Pedro Magalhães defende que os votos dos indecisos não afetaram os resultados das quatro últimas eleições legislativas, mas que com uma diferença pequena entre os dois partidos mais votados o voto dos indecisos pode tornar-se decisivo.

"Uma coisa é dizer que não traz diferenças radicais outra coisa é dizer que não é decisivo. Como temos visto nos inquéritos divulgados, há na diferença entre a lista do PS e da coligação PSD/CDS-PP uma diferença bastante pequena nas intenções de voto", afirmou à Lusa Pedro Magalhães.


O professor universitário e diretor do centro de sondagens da Universidade Católica aponta os inquéritos pós-eleitorais feitos pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa nas últimas quatro eleições legislativas, em que é patente que os indecisos não afetaram o resultado final. As pessoas que só decidiram em que partido votar no último mês acabaram por fazê-lo no CDS-PP e no BE.

"As pessoas que de facto votam e dizem ter decidido no final tendem de forma desproporcional (em comparação com os outros), a votar ou no BE ou no CDS."


O investigador do ICS frisa que "o que se verifica em quatro eleições não tem forçosamente de se esforçar numa quinta eleição".

"É difícil fazer essa inferência porque temos poucos casos. Por outro lado, temos a particularidade de o CDS concorrer coligado com o PSD, que, por sua vez, tal como o PS, é um partido em que aqueles que decidem no fim tendem a não votar nesses grandes partidos. A melhor estimativa que se pode fazer é que esse ganho eventual do CDS poderá ser cancelado pela perda do PSD."


Pedro Magalhães insiste que "uma pequena diferença pode ser decisivamente influenciada por pouca gente, em termos relativos".

"Os indecisos não vêm trazer mudanças radicais, aparentemente, à distribuição das intenções de voto e dos votos, mas essas diferenças, mesmo que pequenas, no caso de uma eleição tão renhida como esta, podem fazer a diferença."


Pedro Magalhães insistiu também na ideia de que "nas diferentes sondagens, o próprio conceito de indecisos não é exatamente o mesmo de sondagem para sondagem", é "medido de formas diferentes, com instrumentos diferentes, com perguntas diferentes", e, "portanto, torna-se, desde logo, difícil ter uma ideia da magnitude do fenómeno".

Questionado sobre se esta questão se explica com a confusão entre indecisos e abstencionistas, Pedro Magalhães disse que "em parte" isso se verifica.

"Há certamente, pelo que se percebe das fichas técnicas, empresas de sondagens que fazem um esforço grande para filtrar, para retirar desta amostra as pessoas que são votantes improváveis, porque não votaram em nenhuma das eleições anteriores, ou pelas características do ponto de vista das atitudes ou até sociodemográficas", sustentou.

"Há sondagens telefónicas, face a face, voto em urna e tudo isto torna difícil a comparação."


As eleições legislativas realizam-se a 4 de outubro e o período oficial de campanha eleitoral começa no dia 20 de setembro.