O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou hoje que o resultado das eleições europeias de domingo permitiu «mostrar a bondade» da política seguida pelo Governo e rejeitou qualquer «diminuição de legitimidade» da coligação PSD/CDS-PP.

Para Rui Machete, o resultado foi «bastante positivo», salientando que não se verificou «uma situação catastrófica, aquilo que se dizia que ia ser, após três anos de austeridade».

Um sinal que, considerou, permite «mostrar a bondade da política que foi seguida e dos seus resultados positivos que agora haverá oportunidade de retirar, se não houver nada de inesperado que aconteça».

Questionado sobre se o Governo deverá retirar as devidas ilações políticas dos resultados eleitorais, como o PS tem reclamado, Rui Machete considerou que «há de haver» ilações, mas escusou-se a tecer mais comentários.

Sobre a realização de eleições antecipadas, o governante disse que esse cenário «não tem sentido nenhum».

«Isso não se punha em nenhuma circunstância. Uma coisa são eleições europeias, outra coisa são legislativas internas. Agora nem sequer as diminuições de legitimidade ocorreram», sublinhou.

Elevada abstenção e subida do MPT são «censura violenta»

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, também considerou hoje que a elevada abstenção e a subida da votação no MPT nas eleições europeias de domingo devem ser interpretadas como «uma censura violenta» e não podem ser ignoradas.

«Pela negativa, temos de reconhecer que o alto nível de abstenção, de votos nulos e em branco e mesmo o MPT, do nosso ilustre colega advogado e antigo bastonário [dos Advogados, Marinho e Pinto], têm o significado de uma crítica enérgica, quando não de uma censura violenta, e não podem ser ignorados», advertiu, intervindo durante um almoço-conferência promovido pelo American Club of Lisbon.

Quanto aos aspetos positivos, Rui Machete destacou que o resultado «confirma mais uma vez que há um consenso predominante em torno da participação portuguesa no projeto europeu, e mesmo quanto ao projeto europeu no conjunto dos países».

O ministro salientou ainda «o facto de em Portugal não existirem partidos com origem em movimentos xenófobos e/ou racistas».

De uma forma geral, estas eleições europeias «não podem considerar-se particularmente felizes», disse, lembrando que o ato eleitoral era «muito importante» para a Europa, visto tratar-se do primeiro após a aplicação do Tratado de Lisboa, que reforçou os poderes do Parlamento Europeu.

Machete recordou que noutros países, nomeadamente França e Grã-Bretanha, exemplificou, «as críticas foram mais severas e a situação mais difícil».

É importante saber «como é que o Parlamento Europeu vai agir na próxima legislatura», disse.

Questionado por um participante no almoço sobre a abstenção - que foi, em Portugal, a maior de sempre, com um valor de 66,09 por cento, só ultrapassado pelo referendo de 1998 -, Rui Machete considerou que «há uma noção de que a Europa está relativamente longe e portanto os problemas europeus não são influenciados pelo voto nem pelo Parlamento [Europeu]».

Por outro lado, salientou, «há uma visão arreigada de que é a senhora Merkel que manda na Europa e que não vale muito a pena estar a perder tempo através do Parlamento Europeu», uma perspetiva que disse ser errada, embora tenha reconhecido que se assistiu recentemente «a um predomínio da Alemanha em resultado dos aspetos financeiros, que é necessário reequilibrar».

«As abstenções combatem-se neste termos: é preciso que as pessoas tenham interesse em deslocarem-se e votar, e também que haja partidos políticos que congreguem os sentimentos das pessoas num determinado sentido».

Sobre a subida da extrema-direita na Europa, o governante afirmou ser «um fenómeno preocupante» e disse aos jornalistas que a Europa produziu «mais coisas positivas para os seus cidadãos».