Os cidadãos holandeses e britânicos começaram hoje a votar nas eleições europeias, que vão escolher os 751 deputados do Parlamento Europeu (PE) para os próximos cinco anos.

As urnas abriram na Holanda às 07:30 (06:30 em Lisboa) e meia hora depois no Reino Unido.

As eleições decorrem até domingo em 28 países da União Europeia.

Depois da abertura das urnas na Holanda e no Reino Unido, segue-se a Irlanda (sexta-feira), República Checa (sexta-feira e sábado), Letónia, Malta e Eslováquia (sábado) e os restantes 21 Estados membros no domingo.

Além das europeias, na Inglaterra e na Irlanda do Norte realizam-se eleições municipais, cujos resultados serão conhecidos na sexta-feira à tarde e no sábado, respetivamente.

O processo eleitoral levará à escolha dos 751 deputados ao Parlamento Europeu até 2019 e também do sucessor de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia.

Os 751 eurodeputados a serem eleitos no conjunto dos 28 Estados-membros da União Europeia representarão cerca de 500 milhões de cidadãos da UE na próxima legislatura, mas muitas sondagens apontam para uma subida da taxa de abstenção, já habitualmente alta nas eleições europeias, que decorrem até 25 de maio.

A ameaça de abstenção - em 2009 a participação foi de apenas 43% - volta assim a pairar sobre as eleições europeias, mesmo com a «novidade», este ano, de as principais forças políticas apresentarem candidatos ao cargo de presidente da Comissão, à luz das novas regras do Tratado de Lisboa (que entrou em vigor em dezembro de 2009, após as europeias de junho desse ano.

A eleição do futuro presidente do executivo comunitário não é todavia um processo linear, pois, apesar de o Tratado de Lisboa prever que os votos sejam tidos em conta, o Conselho Europeu ¿ que reúne os chefes de Estado e de Governo e a quem continua a pertencer o direito de nomear um candidato - não é legalmente forçado a designar o nome do candidato do partido político europeu que recolher mais votos, embora o nome tenha que vir a ser aprovado por uma maioria absoluta da assembleia.

Face a este sistema, depois de 25 maio poderá ainda ficar tudo em aberto, estando desde já agendado um jantar de trabalho informal dos chefes de Estado e de Governo da UE para 27 de maio, para análise dos resultados.

Os grandes candidatos a presidente da Comissão são o luxemburguês Jean-Claude Juncker, pelo Partido Popular Europeu (atualmente a maior família política, tanto na assembleia como no Conselho, e que integra PSD e CDS-PP) e o alemão Martin Schulz, pelos Socialistas Europeus (que inclui o PS).

Concorrem também ao cargo ocupado nos últimos 10 anos por José Manuel Durão Barroso o belga Guy Verhofstadt, pelos Liberais, atualmente a terceira família política, o grego Alexis Tsipras, pelo Grupo da Esquerda Unitária (onde se encontram as delegações do Bloco de Esquerda e PCP), e o francês José Bové e a alemã Ska Keller, pelos Verdes.

A disputa principal mantém-se entre o PPE e os Socialistas, mas com o «espectro» de uma subida de partidos eurocéticos e extremistas, as sondagens dão como certo apenas que o PPE não conseguirá manter a hegemonia da assembleia como aconteceu nas últimas legislaturas, e poderá haver lugar a novas maiorias nas bancadas dos hemiciclos de Bruxelas e Estrasburgo.