O secretário de Estado dos Assuntos Europeus português declarou esta sexta-feira que os 28 avaliaram, em Atenas, o resultado das eleições europeias de domingo e a necessidade de definir prioridades e ações para os próximos cincos anos na UE.

O encontro «foi um momento para fazer uma avaliação das eleições, para fazer uma avaliação das prioridades para os próximos cinco anos, que correspondem ao mandato do presidente da Comissão [Europeia], e ver de que modo é que essas prioridades se podem traduzir em ações concretas», afirmou Bruno Maçães, no final do conselho informal de Assuntos Gerais.

Sobre os resultados das eleições europeias, o responsável português considerou existir «preocupação de todos, sem uma unanimidade quanto às causas, embora se concorde que o crescimento dos partidos radicais tem, sobretudo, uma dimensão nacional».

Este crescimento «não se verifica em toda a Europa, não acontece sequer principalmente nos países da crise e da austeridade, acontece em países que passaram pela crise sem serem muito afetados, e nos dois principais países onde há um crescimento muito considerável de partidos radicais, o Reino Unido e a França, as causas são sobretudo internas», disse.

"Não é possível fazer uma análise completamente homogénea, tem que ser caso a caso. Apesar de tudo, [os resultados] têm uma dimensão europeia relacionada com alguns bloqueios da UE que tem de ser resolvidos. Todos sabemos que as decisões são lentas, que são implementadas de um modo muito lento, que tem de ser melhorado", considerou.

Neste conselho verificou-se uma «certa unanimidade de que a UE precisa de ser mais leve e estar mais próxima dos cidadãos, preocupando-se menos com os seus próprios problemas», acrescentou.

«Há uma série de pontos comuns a todos, mas quando são 28 países a falar também há muitas diferenças», concluiu.

Bruno Maçães referiu ainda ter sido debatida a questão da escolha do próximo presidente da Comissão Europeia, que vai substituir José Manuel Durão Barroso, e sobre a qual se verificaram algumas divergências entre os diferentes Estados-membros, tal como no último Conselho Europeu.

Ainda antes das europeias, que em Portugal decorreram a 25 de maio, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu que, apesar de não existir uma obrigação legal, Portugal tem um «vínculo moral e político» para com a candidatura do Partido Popular Europeu (PPE) à presidência da Comissão Europeia, protagonizada por Jean-Claude Juncker, que foi decidida no congresso da família europeia em que estão reunidos tanto os sociais-democratas como os centristas.

Em conferência de imprensa, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros grego e responsável pelos Assuntos Europeus, Dimitris Kurkulas, afirmou que «as eleições europeias deixaram uma forte mensagem».

«Uma grande proporção dos cidadãos, embora não a maioria, deixou claro ter reservas sobre o trabalho da UE», reconheceu.

Kurkulas pediu que a UE tome medidas rapidamente e encontre «o conjunto de políticas necessárias para recuperar a confiança e convencer os cidadãos europeus de que, apesar dos problemas, a UE é a única instituição que pode garantir o bem-estar dos seus cidadãos».

A Grécia ocupa a presidência rotativa da UE, até final de junho. A 01 de julho, a presidência do segundo semestre é assumida pela Itália.