Ainda que os partidos centro-direita tenham mantido a maioria no Parlamento Europeu após estas eleições europeias, este mandato que agora se inicia, vai trazer, certamente, uma Europa diferente.

As eleições deste domingo serviram para preencher lugares europeus, mas as "inesperadas" vitórias de alguns partidos como a Frente Nacional (extrema-direita), em França, ou a conquista de lugares europeus por partidos anti-União/anti-moeda única (Reino Unido e Alemanha), já está a motivar disputas nacionais.

Na Bélgica, além de europeias, ontem também foi noite de eleições legislativas, e na sequência da vitória dos nacionalistas flamengos, o primeiro-ministro, Elio Di Rupo, apresentou a sua demissão, que já foi aceite pelo rei belga.

A «Nova Aliança», os nacionalistas flamengos, obteve 32% dos votos na Flandres, região onde vivem mais de metade dos belgas, e já afirmou que quer formar governo. Pode antever-se uma nova crise política para a Bélgica, como a de 2009.

Mas não é preciso ir para o norte da Europa para se encontrar consequências do mesmo género. Em Espanha, a noite eleitoral também já levou à demissão do secretário-geral do PSOE, Alfredo Rubalcaba.

Os socialistas espanhóis sofreram uma derrota pesada nestas europeias e perderam nove dos seus 23 eurodeputados, conseguindo apenas 14, menos dois que a direita do governo, o Partido Popular de Mariano Rajoy.

Porém, esta não foi a única surpresa vinda da terra de «nuestros hermanos», o novo partido «Podemos», que foi pela primeira vez às urnas, ficou em quarto lugar e conseguiu eleger cinco eurodeputados com os mais de 1,2 milhões de votos conquistados.

Porém, dificilmente serão estes os protagonistas das eleições de ontem, pois o que realmente saltou à vista nestas europeias foram os partidos "anti-União Europeia" e "anti-moeda única".

Da França chega o caso mais mediático, com a vitória da Frente Nacional, o partido de extrema direita liderado por Marine Le Pen. «Terramoto» é a palavra mais usada para descrever a sua vitória nas eleições, e está a provar-se uma descrição correta, uma vez que Le Pen já exigiu a dissolução do parlamento francês.

Le Pen conseguiu uma vitória esmagadora com 26% dos votos, contra 20 da centro-direita e apenas 14 dos socialistas no poder, e coloca 26 eurodeputados no Parlamento Europeu.

E por falar em extrema-direita, da Alemanha chegou mais uma surpresa. Os neonazis do NPD alemão conseguiram, pela primeira vez, eleger um eurodeputado com cerca de 300 mil votos. Já o partido "anti-moeda única" e "anti-União Europeia", AFD, conseguiu 7% dos votos e sete assentos no Parlamento Europeu. No entanto, a situação aqui não será tão preocupante como na França, já que o CDU/CSU de Angela Merkel conseguiu uns confortáveis 35,3% dos votos.

Voltando ao oeste da Europa, no Reino Unido estas europeias deram a vitória ao partido Ukip, conhecido por ser anti-imigração e por querer ver as «terras de Isabel II» fora da União Europeia. Esta vitória traz mais pressão sobre David Cameron para que se antecipe o referendo que vai decidir a continuidade do Reino Unido na União, e que estava planeado para 2017.

A extrema-direita e anti-imigração também venceu na Dinamarca e conseguiu vários deputados na Hungria, com o Jobbik, partido que defende ideias antissemitas, e na Grécia, com a «Aurora Dourada», partido com ideais nazis e que elegeu três eurodeputados (ainda que a Grécia tenha entregue a vitória à extrema-esquerda do «Syriza»).

Como todas estas reviravoltas, os eurocéticos podem ocupar cerca de 130 lugares do Parlamento Europeu.

As consequências destas Europeias já se estão a sentir, e porque Portugal não poderia escapar à polémica, por cá a vitória do PS já conseguiu uma moção de censura para o governo, que será apresentada pelo PCP e apoiada pelo PS.

No entanto, Passos Coelho já afirmou que se mantém no governo e que a legislatura é para cumprir até ao fim.