O cabeça de lista por Lisboa do Livre/Tempo de Avançar, Rui Tavares, afirmou esta sexta-feira que a direita só irá governar nos próximos quatro anos se a esquerda lhe fizer esse favor, vincando que PSD e CDS serão oposição.

“Claramente, a atual maioria vai deixar de ser uma maioria no dia 4, não vai ter condições para governar”, afirmou Rui Tavares durante a apresentação dos candidatos por Lisboa do Livre/Tempo de Avançar (L/TDA) às eleições legislativas, que decorreu na capital.

“Neste momento, a direita não governará em Portugal a não ser que alguém à esquerda lhe faça um favor, por ação, porque irá governar com eles, ou por inação, a apoiar um Governo de esquerda”, explicou à Lusa.


Rui Tavares vincou ainda que no que depender do partido, “a direita irá para a oposição e por lá ficará muito tempo”, acrescentando também que haverá uma maioria de esquerda na Assembleia da República e que o L/TDA está disponível para a formar.

Quanto à situação dos refugiados que chegam à Europa, o dirigente afirmou não haver “humanos de primeira e humanos de segunda”, defendendo o aumento das quotas de refugiados.

“Os direitos não podem ser cortados por fronteiras.”


O candidato a deputado aproveitou ainda para criticar o facto de terem sido marcados jogos da I Liga portuguesa de futebol para o dia das eleições de 4 de outubro.

“Umas eleições legislativas, em condições normais, ocorrem de quatro em quatro anos, esse dia deveria ser um dia em que a prioridade iria para a escolha democrática dos portugueses.”


A número dois da lista de candidatos a deputados pelo círculo de Lisboa, Ana Drago, também discursou aos presentes, fazendo duras críticas ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas por, na sua opinião, afirmarem ter havido recuperação do país quando os valores do desemprego, da emigração e do trabalho precário continuam altos.

A par das intervenções dos cabeças de lista por Lisboa, a iniciativa contou também com três debates subordinados aos temas da renegociação da dívida, da precariedade e do trabalho e dos direitos e políticas sociais.