Quatro “candidatos independentes” à Presidência da República acusaram este sábado os media de os discriminar, ignorando quase por completo os seus programas e ações de campanha, em contraste com outros candidatos, designadamente apoiados por partidos.

Os anunciados candidatos Cândido Ferreira, médico e antigo presidente da Federação Distrital do PS de Leiria, Castanheira Barros, advogado em Coimbra, Graça Castanho, professora da Universidade dos Açores, e Fernando Vale, advogado em Ermesinde, participaram hoje, à tarde, em Coimbra, num encontro promovido na sequência de uma reunião realizada, em 23 de outubro, no Clube dos Jornalistas, em Lisboa.

Como aquela, também a reunião de hoje visou “dar a conhecer o nosso profundo descontentamento face à discriminação de que temos sido alvo por parte da comunicação social de âmbito nacional”, disse à agência Lusa, à margem da sessão, Castanheira Barros, ressalvando que, no seu caso, não tem “razão de queixa da comunicação social de âmbito regional” dos locais – “e são muitos” – pelos quais tem passado.

Pelo menos os participantes na sessão de hoje são “afastados das televisões e das rádios”, sustentou Castanheira Barros, considerando que, à exceção “dos quatro [candidatos] de quem se fala – Henrique Neto, Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém e Rebelo de Sousa –, todos têm razão de queixa” dos media.

“Sabia que a democracia portuguesa estava algo estrangulada pela comunicação social e pela influência dos partidos políticos e do poder económico”, mas Cândido Ferreira “não acreditava que um movimento”, como o da sua candidatura, “de base, espontâneo e que consegue reunir 7.500 assinaturas, como está perto de conseguir”, fosse tão discriminado, disse à Lusa.

“Tudo o que não pertence ao sistema [partidário] é discriminado” e não apenas pelos media, sublinhou o candidato, referindo que “toda a campanha eleitoral” de candidatos independentes está sujeita ao pagamento de IVA, enquanto “os partidos políticos não pagam” aquele imposto.

Durante a sessão, à qual a população não aderiu, tal como a comunicação social, como reconheceram os participantes, os quatro candidatos a Belém expuseram as linhas gerais das suas respetivas candidaturas.

Defensor de um regime presidencialista e de um parlamento com duas câmaras, Fernando Vale, se for eleito, promoverá a “supressão das mordomias e regalias dos cargos públicos, que são um roubo ao erário público”.

Cândido Ferreira também quer “uma redução drástica das despesas” da chefia do Estado e afirma que “seria conveniente” ter um presidente “isento, sensato e honesto na política”.

É preciso “moralizar a política, o que deve começar, como em qualquer país, pela figura do Presidente da República”, defende Graça Castanho, afirmando que, de um modo geral, “não tem havido lisura nem transparência por parte dos presidentes da República”, em Portugal.

“É necessário combater a fome. Somos um país pobre, mas temos recursos suficientes” para acabar com a fome, alerta Castanheira Barros, que, se for eleito, fará deste problema uma das suas prioridades, tal como “o combate ao tráfico de influências”.

O também anunciado candidato à Presidência da República Sérgio Fraga não participou na reunião, por se encontrar em Paris, nem interveio através da Internet, como chegou a estar previsto, por motivos de ordem técnica, explicou Castanheira Barros, adiantando à Lusa que o candidato Paulo Morais também foi contactado, mas “declinou o convite”.