O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, manifestou, este sábado, em Paris, a disponibilidade para colaborar com os emigrantes lesados do BES na justiça.

Questionado pelo advogado Nuno Vieira - que representa 80 emigrantes lesados do BES - sobre a disponibilidade dos deputados do BE para serem testemunhas nos processos dos seus clientes em Portugal e numa queixa nas Nações Unidas, Pedro Filipe Soares respondeu que basta que o pedido seja feito e que a Assembleia da República o autorize.

"Não há nenhum problema em deputados serem testemunhas. É obrigatório que a Assembleia da República autorize. Mas isso é apenas uma autorização e nenhuma Assembleia da República vai dizer ‘Bem o deputado quer ser testemunha e nós não deixamos’. É só pedirem e nós lá estaremos", declarou o líder parlamentar do Bloco perante uma sala cheia em Gentilly, junto a Paris.


A luta dos emigrantes lesados do BES foi o tema que dominou o encontro de apresentação da lista do Bloco de Esquerda pelo círculo da Europa, na presença da porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES, Helena Batista, e vários lesados, vincando a promessa de que o partido estará ao lado dos lesados na próxima manifestação em Paris, a 26 de setembro.

Pedro Filipe Soares recordou que o seu partido foi o que "mais lutou pelo interesse dos lesados do BES" e o que "mais meteu o dedo na ferida nas negociatas" do banco, salientando que eram "só oito deputados em 230". "Imaginem se fôssemos mais", declarou, sublinhando que "o voto de cada um é igual ao de Passos Coelho, Carlos Costa, Paulo Portas ou Ricardo Salgado".

Dois dias antes da presença em Paris de Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, para o lançamento da campanha, o partido apresentou o Manifesto da Emigração para mostrar que os emigrantes "fazem falta a Portugal", mesmo que "quase pareça que quando se sai do país se entrega o cartão do cidadão e se perde o vínculo com Portugal".

"Empurraram muita gente para a emigração, numa vaga de emigração como nunca tínhamos visto desde os anos 60 e 70. Não deram oportunidades às pessoas em Portugal mas depois negaram também aquilo que o país deve fazer a quem está fora de Portugal que é ter os postos consulares, garantir que a cultura e a língua podem ser também um fator de proximidade", declarou Pedro Filipe Soares.

A cabeça de lista pelo círculo da Europa, Cristina Semblano, detalhou as propostas para a diáspora, destacando que não se pode "abandonar cá fora aqueles que nas sucessivas vagas de emigração foram obrigados a abandonar o país" e explicando que "só políticas que promovam investimento e emprego podem pôr fim a esta sangria" de portugueses que emigram.

No manifesto lê-se, por exemplo, que o BE defende a "abertura de novos postos consulares", "a concessão de meios adequados aos funcionários consulares"; a "reposição dos horários suprimidos" e a abolição da propina de acesso aos cursos de português; o apoio ao setor associativo e a reposição das emissões da RDP Internacional na onda curta.

No documento, consta ainda que "o Governo português deve ser um ator essencial na resolução do grave problema dos emigrantes lesados do BES", que a TAP "deve continuar a ser o que é, uma empresa pública ao serviço das rotas estratégicas definidas pelo país, no seu interesse, no do seus emigrantes e no da lusofonia" e "que devem ser dadas facilidades ao envio das remessas dos emigrantes, bonificadas as taxas de juro dos seus empréstimos e isentos de impostos os rendimentos da colocação a prazo das suas poupanças".

A lista do BE pelo círculo eleitoral da Europa é constituída por Cristina Semblano, economista e professora universitária em Paris, Nuno Pinto, enfermeiro em Jersey, em Inglaterra, Catarina Salgueiro Maia, linguista no Luxemburgo, e Abílio Barbosa, hoteleiro em Lausanne, na Suíça.

De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, relativos a 03 de agosto, o círculo eleitoral da Europa tem 78.253 eleitores, os quais vão eleger a 04 de outubro dois dos 230 deputados da Assembleia da República. O círculo eleitoral fora da Europa também elege dois deputados.