O anúncio do Presidente da República sobre as eleições legislativas, marcadas para 4 de outubro, já mereceu a reação e as críticas de vários partidos. Cavaco Silva pediu esta quarta-feira um Governo de maioria absoluta que possa assegurar estabilidade política. O PS diz que as eleições ganham agora nova dimensão, o PCP considera que as maiorias têm desestabilizado a vida dos portugueses e o BE vai mais longe, afirmando que Cavaco não tem de estar com "a mania da maioria que quer impor ao país".

PS: "Eleições ganham nova dimensão"

O PS garante que está a trabalhar para a maioria absoluta pedida pelo Presidente da República. O diretor de campanha socialista e número um na lista do partido por Vila Real, Ascenso Simões, afirmou, em declarações à Lusa, que as eleições legislativas ganharam uma “nova dimensão” depois da declaração de Cavaco Silva.

“As eleições de 4 de outubro ganharam também hoje uma nova dimensão, uma vez que o Presidente da República entende que nós precisamos de uma maioria absoluta. É para isso que o PS está a trabalhar. Para o PS, garantir uma maioria absoluta nas próximas eleições, é um objetivo alcançável, mas também é um objetivo muito importante e ainda mais importante a partir desta declaração do Presidente da República.”


Segundo o diretor de campanha socialista, o PS “é o único partido que pode consagrar uma maioria absoluta”, que seja alternativa à atual política, a qual, para os socialistas, tem promovido o desemprego, a imigração e a pobreza.

Nas declarações à Lusa, Ascenso Simões sublinhou também que o PS é o “único partido”, com possibilidade de chegar ao Governo, que “apresentou um programa consistente e um conjunto de metas de natureza orçamental e objetivos de natureza económica, que conseguem colocar Portugal” a crescer e dar aos portugueses uma “nova esperança”.

“O PS é a única força política que tem condições de cumprir alguns dos critérios que o senhor Presidente da República identificou, designadamente a apresentação de proposta claras e sustentáveis e também de futuro para a crise que temos vivido.”


PCP: "Maiorias têm desestabilizado a vida dos portugueses"

Já do lado do PCP, João Oliveira defendeu que, no próximo ato eleitoral, as preocupações centrais não devem girar em torno da formação de maiorias absolutas porque a estabilidade política significou desestabilização da vida dos portugueses.

"Os portugueses têm os exemplos das maiorias absolutas do primeiro-ministro Cavaco Silva, do primeiro-ministro José Sócrates, desta maioria absoluta de Passos Coelho e Paulo Portas, e sabem que a estabilidade política, em todas essas circunstâncias, significou a desestabilização das suas vidas, a desestabilização e inquietação das suas condições de vida."


Para o PCP, as preocupações deverão estar relacionadas com "o caminho que os portugueses querem, não só para o seu país, mas para as suas vidas e a opção que têm de dar força a quem defende os seus direitos, e dar força a quem defende o seu futuro e as suas condições de vida".

"Os portugueses terão opção de escolher entre aquilo que querem penalizar e aquilo a que querem dar força."


BE: "Cavaco não tem nenhum mandato para estar com a mania da maioria"

Por sua vez, o bloquista Pedro Filipe Soares afirmou que a liberdade "é um dos princípios da democracia" e que Cavaco Silva "não tem nenhum mandato para estar com a mania da maioria que quer impor ao país".
 

"Portugal já é uma democracia madura e os portugueses já sabem as consequências das suas escolhas. E sabem escolher com liberdade porque esse é um dos princípios da democracia. Quem tem a voz é o povo. [...] Ele não tem nenhum mandato para estar com a mania da maioria que quer impor ao pais."


CDS acredita que coligação vai obter maioria 

O vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo acredita que a coligação com o PSD vai conseguir obter a maioria que a estabilidade no país exige.

"É exatamente por isso que o PSD e o CDS celebraram uma coligação, depois de concluído com sucesso o ciclo de ajustamento, a pensar nessa mesma maioria, que acreditamos vamos obter, na estabilidade que o país precisa."



Em declarações à Lusa, Nuno Melo disse que, por uma "questão de princípio", o CDS-PP sempre participou nas campanhas com serenidade e elevação - outro dos pedidos deixados aos partidos por Cavaco Silva.

Quanto à data escolhida para as legislativas, o dirigente centrista lembrou que, apesar de não ser a preferencial dos três maiores partidos, "é boa".