Resultados fechados. O PS voltou a vencer as eleições nos Açores, com 46,4% dos votos, descendo 2,5 pontos face a 2012. Perdeu um mandato e fica com 30 no próximo Parlamento regional.

Os socialistas conseguiram assim a sua quinta maioria absoluta, sendo a força política que durante mais anos governou o arquipélago.

A segunda força mais votada foi o PSD. Os sociais-democratas, que têm menos um deputado, conquistaram 30,8% dos votos, contra os 32,9 de há quatro anos.

A subir estiveram CDS, Bloco de Esquerda (BE), CDU e PPM. No caso dos centristas, passaram de três para quatro deputados no parlamento regional. O BE duplicou o número de eleitos e ficou com dois. CDU e PPM mantêm o mandato que tinham em 2012.

Surpresa na noite eleitoral foi a eleição de um deputado da CDU pelo círculo das Flores, um facto inédito com João Paulo Corvelo a chegar ao parlamento regional. O médico veterinário conseguiu mesmo fazer da coligação liderada pelo PCP, a força mais votada na ilha, com 32,4% dos votos, contra 23,7% do PS e 21% do PSD.

A abstenção cifrou-se nos 59,1%, a maior de sempre. Foram mais sete pontos face aos 52,1% registados em 2012.

Círculo a círculo

No círculo com menos eleitores, o da ilha do Corvo, o Partido Socialista e o Partido Popular Monárquico elegeram um deputado cada, repetindo assim o resultado das eleições de 2012.

Já no círculo da Graciosa, o PS inverteu os resultados de 2012, conquistando dois deputados, levando o PSD a ficar com apenas um.

Na ilha Terceira, o PS voltou a eleger seis deputados, à semelhança de 2012, 2008 e 2004. O PSD conquistou três mandatos e o CDS-PP, um.

Nas Flores, a CDU consegue um resultado histórico ao conquistar um mandato ao PS, que elege também um deputado. O terceiro mandato foi para o PSD.

No círculo do Faial, PS e PSD dividiram em partes iguais os quatro mandatos, à semelhança do que aconteceu em 2012 e em 2008.

Na ilha de Santa Maria, o PS elegeu dois deputados regionais, tal como no sufrágio de 2012, enquanto o PSD voltou a conquistar um mandato.

No Pico, PS e PSD repartiram também os quatro mandatos em disputa.

No círculo da Terceira, o PS elegeu seis deputados, o PSD, 3 e o CDS, um.

No maior círculo eleitoral, S. Miguel, o PS conquistou 12 mandatos, contra sete do PSD e um do BE.

O sistema eleitoral regional açoriano compreende ainda um círculo de compensação que atribuiu um mandato a PS, PSD e BE e dois deputados ao CDS-PP.

Vitória anunciada

Desde o fecho das urnas, todas as projeções indicavam a vitória do PS com maioria absoluta nas eleições dos Açores. Vasco Cordeiro revalidava assim o mandato como presidente do Governo regional.

Numa primeira reação, um porta-voz do PS dos Açores congratulou-se com a projetada vitória eleitoral, lamentando as perspetivas de um aumento da abstenção.

Os números parecem indicar que houve uma avaliação positiva da atuação do Partido Socialista nos últimos quatro anos", referiu o vice-presidente do PS/Açores, André Bradford.

A vitória viria a confirmar-se, com nova maioria absoluta.

Alegria entre socialistas

Logo após o fecho das urnas, a forte hipótese de repetição da maioria absoluta nas eleições regionais enchia já de festa o Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde estavam reunidos os socialistas.

O vice-presidente do PS/Açores, André Bradford, salientou desde logo, a forma “ordeira” como decorreu o processo eleitoral, o que valoriza a autonomia. Mas lamentou também que “os níveis de abstenção previstos se mantenham elevados”, apesar de considerar ser necessária uma avaliação ponderada.

Além de uma abstenção técnica crónica e muito elevada, há quatro anos, por exemplo, houve um aumento de 17 mil votantes, o que significa que qualquer análise a esta matéria tem de ser responsável, tecnicamente fundamentada, e não populista e pouco refletida”, sustentou.

Cordeiro depois de César

Há quatro anos, Vasco Cordeiro assumiu o cargo de presidente do Governo regional, sucedendo ao atual presidente do PS, Carlos César.

Em 2012, o PS venceu as eleições regionais com maioria absoluta, (49,02%) e elegeu 31 deputados. O PSD obteve 20 mandatos (33,01%) e o CDS-PP três (5,67%). O Bloco de Esquerda (2,25%), a CDU (1,9%) e o PPM (0,08%) elegeram um parlamentar cada.

Um total de 228.160 eleitores, mais 3.033 do que no sufrágio de 2012, estavam agora inscritos para escolher os 57 deputados da Assembleia Legislativa Regional. Mas quase seis em cada dez optaram por não votar, tendo em conta os 59,1% de abstenção.

Concorreram às eleições 13 forças políticas: PSD, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Livre, PAN, PCTP/MRPP, PURP, MAS, MPT e PDR.

De acordo com os resultados das eleições, o Representante da República nomeia depois o presidente do Governo Regional que, por sua vez, propõe os membros do executivo.