Por: Redacção / Paula Oliveira com Graça Picão e Beatriz Jalon | 15- 6- 2011 11: 16
A impugnação dos votos dos emigrantes portugueses no Rio de Janeiro não é uma questão consensual dentro do PS. Instantes
depois do deputado socialista Paulo Pisco ter anunciado a apresentação do processo de impugnação para o Tribunal Constitucional,
Francisco Assis, líder parlamentar socialista, veio dizer o contrário. Mas mudou de opinião logo a seguir por não estar mandatado
pelo partido para esta questão. Segundo apurou a TVI, Francisco Assis teve de emendar a mão e agora já diz que, afinal,
o PS vai impugnar a contagem dos votos.
A questão não colhe opinião unânime dos dirigentes socialistas porque poderá
estar em causa um atraso de quatro dias na tomada de posse de Pedro Passos Coelho, impossibilitando que esta aconteça
até dia 23, a tempo do próximo Conselho Europeu, em Bruxelas.
Paulo Pisco, mandatado pelo partido sobre esta questão,
considera que a contagem dos votos dos emigrantes do Rio de Janeiro constitui «uma
situação de fraude» eleitoral e, por isso, anunciou que o partido iria impugnar esses votos e levar o caso ao Tribunal
Constitucional.
A decisão aconteceu depois de a mesa de apuramento eleitoral ter recusado
esta manhã a anulação destes votos. Em causa estão 1.392 votos do círculo Rio de Janeiro e Vitória, que podem acrescentar
mais um deputado à bancada socialista.
Francisco Assis, à saída de uma audição em Belém, veio contradizer as
declarações de Paulo Pisco, garantindo
que não haveria impugnação das eleições para que não houvesse nenhum atraso na tomada de posse de Passos Coelho. Ou,
pelo menos, para que o PS não estivesse na origem desse atraso.
Para reafirmar a sua posição, José Lello veio garantir
à agência Lusa que «houve uma deficiência no cruzamento de informações» com a delegação que foi ao Presidente da República,
disse o secretário nacional para as Relações Internacionais do PS.
«A posição do PS é de que na assembleia-geral
de apuramento (hoje à tarde) vai apresentar de novo a impugnação dos resultados da mesa do Rio de Janeiro», indicou Lello.
«Se
esta impugnação não for aprovada, nós recorreremos imediatamente ao Tribunal Constitucional, portanto está nas mãos do PSD
aceitar ou não esta impugnação. Estão (PSD) muito preocupados com qualquer tipo de atraso no processo eleitoral, está nas
mãos do PSD evitar qualquer tipo de implicações que daí decorram», acrescentou José Lello.
Em declarações à TVI,
o deputado Paulo Pisco, que acompanha a contagem de votos esta quarta-feira, em Lisboa, considera ter existido uma «distorção»
e «falta de transparência» no processo de votação e veio reiterar as suas declarações iniciais, dizendo que, de facto, Francisco
Assis «não estava a acompanhar o processo».
O PS já se tinha queixado destes votos à Comissão Nacional de Eleições,
que lhe deu razão, tendo considerado a situação «manifestamente ilegal».
Fraude?
O PS denunciou que
o jornal luso brasileiro Portugal em Foco reuniu vários boletins de voto de cidadãos portugueses no Rio para os enviar para
Portugal.
Os socialistas queixam-se que directora do «Portugal em Foco», Benvinda Maria, tem uma conhecida ligação
ao PSD e o filho foi o director de campanha do PSD no Brasil.
O PS não apresentou, contudo, queixa em relação aos
votos de São Paulo, onde o jornal também é publicado. Nesta cidade, aliás, há uma situação que também poderá ser questionada,
pois o marido da candidata socialista trabalha no consulado, organismo que tem acesso aos votos. À TVI, Paulo Pisco
diz que «essa questão não tem nada a ver com o protesto que foi apresentado».
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