O PS acusou esta quinta-feira o Governo de demonstrar «fúria privatizadora» e de «desmantelar» o grupo Águas de Portugal. Para os socialistas, o processo de alienação da Empresa Geral do Fomento (EGF) não defende o interesse público.

«O Governo deu hoje mais um passo na sua fúria das privatizações. A preocupação do Governo não foi a garantia do interesse público ou dos consumidores, mas acima de tudo privatizar uma empresa que era lucrativa, que faz parte do grupo Águas de Portugal e que é parceira de 174 municípios», declarou o deputado Pedro Farmhouse, citado pela Lusa.

Esta posição foi assumida no parlamento, depois de o Conselho de Ministros ter anunciado que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, venceu o concurso para a privatização de 95 por cento do capital da EGF, a sub-holding do grupo Águas de Portugal.

O PS «lamenta a decisão do Conselho de Ministros, que é contrária à maioria dos municípios, que são parceiros e fornecedores de uma empresa que trata os resíduos de mais de 60 por cento da população». «Mais do que a liquidação da EGF, estamos perante o início do desmantelamento do grupo Águas de Portugal. Isto é mau sinal para o futuro dos resíduos e sobre a qualidade da água em Portugal. O PS tem sempre condenado este comportamento do Governo», sustentou o deputado, para quem o processo de privatização «foi feito à pressa».

Também a Quercus veio entretanto dizer que os custos do tratamento dos resíduo não vai baixar, como a tutela alega: «O ministro do Ambiente também tem referido sistematicamente que o processo de privatização vai baixar os custos do tratamento dos resíduos, isto é uma mentira porque é impossível uma empresa privada entrar num negócios destes para não ganhar dinheiro», disse também à Lusa Rui Berkemeier, da Quercus.

«Mais grave ainda é que está prevista pelo próprio Governo a criação de uma taxa de gestão de resíduos mais elevada do que a atual e é evidente que esta taxa vai repercutir-se nas tarifas» pagas pelas autarquias. «Dizer que este processo é bom para o cidadão em termos económicos é falso e não está minimamente demonstrado».