O secretário-geral do PS acusou, na segunda-feira à noite, o Governo de estar a fazer «o maior ataque à escola pública depois do 25 de Abril», assinalando que «questões ideológicas» separam os socialistas dos partidos da coligação.

«Está a ser feito o maior ataque à escola pública depois do 25 de Abril», afirmou António José Seguro.

O líder socialista deu como exemplos casos de «escolas com 180 crianças sem auxiliar de educação», um agrupamento com «126 crianças com necessidades especial com apenas três professores» e «turmas com 30, 35 e mais alunos».

«Encontramos alunos que frequentam vários anos, mas que estão na mesma turma, segundo dados revelados por responsáveis, cerca de 2.000 horários sem professores e escolas sem professores e professores sem escola para poderem continuarem a lecionar», referiu.

Seguro realçou que cada professor despedido está a «somar-se ao quase um milhão de portugueses desempregados», mas referiu que, com esse plano, o Governo está «sobretudo a retirar qualidade na escola pública», o que «não afeta apenas o professor despedido», mas sim «todos aqueles que estudam na escola pública».

O secretário-geral do PS contou que uma professora lhe tinha perguntado por que motivos «os partidos não se entendem sobre as questões da educação e porque é que se disputam», dizendo que lhe respondeu que «esta é uma questão ideológica, não é uma questão partidária». «Há quem entenda que a escola deve reproduzir as desigualdades e que, por isso, as escolas devem escolher os seus alunos em função de critérios que apenas vêm reproduzir essas mesmas desigualdades», afirmou.

Seguro contrapôs que os socialistas entendem que «a escola deve servir para combater essas desigualdades e que na escola pública têm direito todos os filhos, independentemente dos rendimentos que tenham os seus pais, do local de origem ou da terra onde vivam». «Não aceitamos uma escola para ricos e uma escola para pobres», afirmou.

António José Seguro realçou ainda que o PS não aceita que se cortem mais nas pensões e nas reformas e que o Governo «faz mal» ao insistir nos cortes, porque «o que está a acontecer ao país é uma autêntica hemorragia».