O secretário-geral do PS criticou esta terça-feira a ausência de «política educativa» do Governo, que só impõe cortes e tem um «preconceito em relação à escola pública».

O líder socialista foi perentório ao afirmar que «não há projeto para a educação no nosso país» nem «política educativa», considerando que aquilo que existe são «cortes, cortes e cortes» e um «preconceito em relação à escola pública».

«Esse preconceito sempre existiu, não é novo. É próprio dos liberais que consideram que as pessoas devem ter um Estado mínimo mas cada um depois deve tratar de si em função daquilo que são as suas oportunidades e a sua condição», atirou.

Seguro criticou o facto de em vez de haver «professores a falar exclusivamente de educação e de ensino», o «Ministério da Educação mete os professores a tratar de coisas administrativas e de regulação da vida da escola».

«Nós não temos um Ministério da Educação, temos um ministério da reforma administrativa escolar», concretizou.

Concretamente sobre o ano letivo que agora se iniciou, o secretário-geral do PS recusou-se a aceitar que «exista uma espécie de banalidade de instabilidade do início do ano escolar».

«Nós temos um Governo que não olha para a escola pública como ela deve ser olhada», sustentou, acrescentando que «se há uma setor que precisa de estabilidade é o da educação».

Reforçando uma ideia que veio de um dos participantes no encontro, Seguro sublinhou que todas estas questões vêm de «um ministério de um Governo que prometeu excelência e rigor no ensino».

«Isto não é rigor e muito menos é excelência», concluiu.

António José Seguro falava no final de mais de duas horas de conversa com professores, diretores, funcionários e encarregados de educação, um encontro que decorreu na Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, onde ouviu as queixas, críticas e preocupações em relação à educação em Portugal, concretamente naquilo relacionado com o início do ano escolar.