O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, acusou esta quarta-feira o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, de estar «alheado da realidade» e de estar a provocar «um dano inqualificável» no sistema educativo do país.

«Como brilhante matemático que é, Nuno Crato é mais um convertido ao Excel. Vive dos gráficos e está alheado da realidade. Está a provocar um dano inqualificável no nosso sistema educativo», criticou.

Segundo Zorrinho, «podem até os indicadores económicos abrandar a sua queda», mas «o desinvestimento no conhecimento empobrece de forma estrutural» o país.

«Jamais haverá recuperação séria da economia e da sociedade portuguesa sem investimento nas pessoas e nas suas competências», defendeu.

Ao discursar na sessão de abertura da Universidade de Verão do PS, em Évora, o líder do grupo parlamentar socialista dirigiu particular atenção ao ensino superior público, lembrando que, «neste momento, as universidades e os politécnicos lutam desesperadamente contra a sanha do Ministério das Finanças».

Este ministério, continuou, «pretende, imagine-se, limitar a capacidade» de as universidades e os politécnicos «se financiarem com receitas próprias», o que «põe em causa a autonomia universitária» e «mostra sobretudo uma escolha política».

«A escolha de asfixiar o ensino superior público, para deixar o ensino superior também nas mãos do mercado», frisou, questionando por «onde anda o ministro Nuno Crato» e ironizando, a esse propósito: «Eventualmente, no Festival do Crato [festival de música que começou hoje naquela vila alentejana]».

O Ministério da Educação tem demonstrado, «também neste domínio» do ensino superior, a «sua profunda insensibilidade» e, até agora, criticou Zorrinho, «não se ouviu ainda uma palavra do ministro Nuno Crato».

«As universidades, os professores, as famílias e, sobretudo, os alunos, não têm o ministro da Educação do seu lado», argumentou.

Na intervenção que proferiu em Évora, o líder parlamentar socialista lembrou também que a Universidade de Verão do partido marca a ¿rentrée¿ política do PS, ou seja, ¿um começo¿ de um novo ano político, que ¿define uma estratégia¿.

«Nós acreditamos num novo rumo para Portugal», salientou, defendendo que «é à esquerda da crise», em sentido de projeto político, que o país encontrará «as soluções para a ultrapassar».

Isto porque, sublinhou, todos sabem que «à direita da crise só» se encontra «mais crise».

Zorrinho deixou ainda «recados» aos partidos à esquerda dos socialistas, afirmando que «é preciso ter lata» para os porta-vozes desses partidos insinuarem que «o PS é também responsável pelo desgoverno» do país.

«É preciso ter lata para insinuar isto, quando são porta-vozes das esquerdas de protesto que ajudaram a derrubar a nossa governação e estenderam a passadeira do poder ao Governo PSD/CDS-PP», num registo da Lusa.