Para o ministro da Educação, o setor está no «bom caminho». Embora seja o ministério com mais cortes na proposta de Orçamento do Estado  para 2015 (700 milhões de euros), Nuno Crato entende que tem valores «bastante comparáveis» aos inicialmente orçamentados para 2014, chegando a haver, até, «mais recursos para a ciência». 

«As coisas estão a caminhar no bom sentido. Temos muito a fazer pela educação de adultos, claro que temos, mas temos muito a fazer pela educação dos nossos jovens, e o que os números mostram é que estamos no bom caminho», declarou, nas jornadas parlamentares da maioria PSD/CDS-PP, na Assembleia da República. Na sua intervenção, nem uma palavra sobre a polémica relacionada com a colocação de professores neste ano letivo. 

Crato preferiu, antes, realçar que o debate sobre as verbas do OE2015 canalizadas para o seu ministério ter sido, no seu entender, «mal colocado, ou propositadamente mal colocado por certos intervenientes, porque foi feita uma comparação entre a execução de 2014 e o Orçamento do Estado de 2015, não tendo em conta vários fatores».

E passou a explicar: «Se nós fizermos uma comparação entre o Orçamento do Estado inicial de 2014 e o Orçamento do Estado inicial de 2015, nós vemos que os valores são bastante comparáveis». «A execução de 2014, por uma série de fatores, teve algumas subidas, que não têm efeito em 2015», disse, citado pela Lusa.

Argumentou, ainda, que é preciso ter em conta «uma série de medidas que foram tomadas em 2014 e que não serão tomadas em 2015». Exemplo disso é o pagamento de «50 milhões de ADSE», que não vão ser pagos no próximo ano «pelo facto de ter saído da esfera dos ministérios».

O ministro referiu ainda que em 2015 haverá uma execução de projetos «inferior à de 2014» e apontou «as rescisões por mútuo acordo» como outro fator que fez subir a despesa com educação este ano e que não se repetirá em 2015.

Por outro lado, segundo o ministro da Educação e Ciência, o reagrupamento de escolas terá mais efeitos em 2015 do que em 2014, e a diminuição prevista do número de alunos em 2% e a redução dos horários zero também produzirão poupanças. Declarou que o seu ministério aposta «na qualidade» do ensino, mencionou que «o inglês foi tornado obrigatório por este Governo» e que essa obrigatoriedade vai ser estendida de quatro para seis anos.

Destacou, por outro lado, que «de 2010 para 2013 a taxa de abandono escolar diminuiu cerca de 10 pontos percentuais». «Era 30%, está em cerca dos 20%. Estamos orgulhosos de 20%? Não, não estamos orgulhosos de 20%, queremos ir mais longe, mas estamos orgulhosos de termos conseguido reduzir a taxa de abandono escolar durante este Governo, com grandes dificuldades económicas, mas com sucesso na qualidade educativa».