O deputado do PSD Pedro Lynce defendeu hoje que apesar de não ser a situação «ideal» é «possível» com «esforço» que alunos de vários níveis de ensino estejam inseridos na mesma turma sem que isso tenha consequências pedagógicas.

«Se isto é o ideal, não é, mas que me parece que é possível através de um esforço grande feito por pais, professores e alunos e que eventualmente isso não tenha consequências em termos pedagógicos, acredito que é possível», afirmou Pedro Lynce.

Em conferência de imprensa, no Parlamento, o deputado social-democrata sublinhou que «é um grande esforço, sem dúvida» para um professor ter alunos de diversos anos do ensino básico na mesma turma e que este ano letivo «vai exigir muito trabalho» também devido à existência de mais exames.

«Mas trata-se de professores do quadro, portanto, acredito na sua generosidade e capacidade de adaptação e que eventualmente eles vão ultrapassar estes problemas, ainda por cima com um maior acompanhamento dos pais que neste momento estão extremamente motivados», argumentou.

Pedro Lynce disse que aceitaria dar aulas numa turma com aquelas características, assim como aceitaria que um filho seu tivesse aulas nessas circunstâncias.

O deputado, que nasceu em 1943 (de acordo com a página do Parlamento), sublinhou que na sua própria educação teve aulas inserido numa turma em que eram lecionados dois níveis de ensino.

«Qual era a situação de professores com horários zero e que nós não podemos deixar de ver? É isto que se pretende neste momento combater. Não estou a falar que para professores que têm 20, 25 anos, que eventualmente seja uma situação justa. Agora, será que eventualmente vamos manter horários zero e continuar na mesma situação? Isso seria correto, quando a componente letiva não seria aumentada?», questionou.

Pedro Lynce lamentou a «dramatização do Partido Socialista em relação ao início do ano letivo», que considerou uma «posição eleitoralista», defendendo que o início do ano escolar é antes uma altura para enviar uma «mensagem de esperança» à comunidade escolar.

«As turmas estão constituídas, 83% dos professores estão colocados, os outros serão colocados com professores do quadro com horário zero e professores contratados que, segundo informações do senhor ministro, serão colocados esta semana, porque se esteve à espera de completar as turmas», disse.

O líder parlamentar do PS acusou hoje o Governo de ter revelado «impreparação» e «incompetência» na abertura do ano escolar, considerando que grande parte das deficiências resulta de uma política de «cortes cegos».

«A abertura do ano escolar revelou a impreparação e incompetência do Governo e do Ministério da Educação. Este Governo e este Ministério da Educação têm mostrado maior competência nos cortes cegos que fazem do que na organização do ano letivo», declarou o líder da bancada socialista, Carlos Zorrinho.

«Verificamos a existência de um retrocesso brutal, algo que já não se passava há muitos anos. Temos salas de aula com um professor e alunos de quatro graus do Ensino Básico, exigindo-se ao docente o acompanhamento de quatro programas distintos. Como é possível haver qualidade de ensino nestas condições?» questionou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Carlos Zorrinho apontou também como exemplos casos de invisuais integrados em turmas de 28 alunos, mega agrupamentos planeados de uma forma que quebraram o princípio da proximidade, além do encerramento de muitos cursos profissionais.