O economista Eduardo Catroga, ele que foi o negociador, por parte do PSD, do memorando de entendimento com a troika, diz que o Governo não conseguiu reduzir o "excesso de peso do Estado", que tem de continuar na próxima legislatura. 

O professor esteve esta quarta-feira no programa "Política Mesmo" da TVI24, logo depois de a coligação PSD/CDS-PP ter apresentado as suas linhas orientadoras para o programa eleitoral, que será conhecido no final de junho.

Em vez de se focar na falta de detalhe dessas bases programáticas, Catroga preferiu salientar que a estratégia seguida estará certamente "em articulação" com o Programa de Estabilidade e com o Plano Nacional de Reformas. "Com certeza vai haver ajustamentos, mas não são de esperar grandes alterações à linha de rumo", assinalou.

Catroga advertiu que qualquer que venha a ser o próximo Governo terá como "desafio" a recuperação da economia, que ainda está numa situação "frágil". E disse que o Executivo de Passos Coelho não conseguiu "reduzir o excesso de peso do Estado" nos últimos quatro anos. A "dieta" começou, mas não produziu os resultados desejados. 

O próximo Governo terá forçosamente de encontrar formas de reduzir despesa ou aumentar impostos, se quiser ganhar mais em salários e pensões. 

O economista defendeu que, no que toca às pensões, deve haver um consenso entre "todos" os partidos, partindo de uma análise técnica independente, com o apoio da Assembleia da República, "a que os ingleses chamam de royal comission". O objetivo seria encontrar um modelo sustentável para a Segurança Social e um compromisso duradouro. Porque, assinalou, os portugueses "merecem" isso. 

"Não vale a pena fingir que não existe um problema", disse, numa crítica implícita ao PS.